quinta-feira, 16 de outubro de 2008
o futebol de salão.
está acontecendo este mês, no brasil, a copa do mundo de futsal, evento que, desde que passou a ser organizado pela fifa, em 1989, teve 5 edições, sendo que as 3 primeiras foram vencidas pelo brasil e as duas últimas pela espanha. a final da copa deste ano não poderia ser mais apropriada para a atualidade do futsal profissional: brasil x espanha.
a edição deste ano da copa do mundo é um perfeito retrato do predomínio brasileiro no futsal mundial. apresenta uma seleção brasielira estrelada, com o melhor jogador da atualidade, o malabarista-ala falcão, que até já tentou desfilar seus dribles pelos gramados, procurando percorrer o caminho de tantos craques do futebol que surgiram no salão (o maior exemplo talvez tenha sido rivellino), jogando por palmeiras, são paulo e portuguesa, porém sem o mesmo brilho. além disso, conta com um enorme número de jogadores brasileiros naturalizados nas principais equipes da competição. a seleção italiana, por exemplo, chega ao extremo. somente o técnico e parte da comissão técnica nasceram na itália. todos os jogadores convocados nasceram em território brasileiro. as semifinais, realizadas hoje, tiveram todos os gols dos confrontos, menos um, marcados por jogadores nascidos em terras tupiniquins. o artilheiro russo, que tem o apelido de pula, é brasileiro. o seu gol na semifinal de hoje contra o brasil não foi suficiente para evitar a derrota por 4 a 2. na outra semifinal a espanha, com dois gols brasieliros e um gol-contra, também brasileiro, venceu a "brasileira" itália, na prorrogação, por 3 a 2. sinceramente, muito menos por conta de minha ligação familiar com a cultura espanhola do que por qualquer outra coisa, pouco estou me importando com esta copa do mundo.
o futebol de salão tem sua graça na prática, e não na observação ou na torcida. no meu caso particular, atualmente estou muito mais preocupado com a classificação de meu time da faculdade, o glorioso cardíacos de futebol (de salão) e regatas para a próxima fase da 9° copa fflch de futsal. zebra assumida e 24° colocado, de 32 participantes, na edição do ano passado, a equipe se recuperou da derrota por 8 a 0 na estréia e venceu, sábado passado, por 1 a 0. pelo que me disseram, uma vitória heróica, com defesa de pênalti e tudo mais. não pude estar presente, mas tomei conhecimento através dos que jogaram. agora, como diria o insuportável galvão bueno, é colocar a faca entre os dentes, o coração na ponta da chuteira, e vencer o último duelo da fase de grupos para se classificar. neste, com certeza, estarei presente, mesmo longe de minha melhor forma física, para incentivar e até dar alguns prazerosos chutes na bola e nas canelas adversárias. pois o futebol de salão nunca deixou e nunca vai deixar de ser o que sempre foi. a institucionalização do futebol de rua, porém sem perder a alma do futebol de improviso, o futebol moleque genuinamente brasileiro.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
o clássico vovô.
fundado em 1902, o fluminense football club, foi o primeiro dos hoje reconhecidos como 4 grandes clubes do rio de janeiro (fluminense, botafogo, flamengo e vasco) a praticar o futebol. aliás, como o próprio nome diz, nasceu praticando o esporte, assim como o botafogo, que é de 1904, e diferentemente do flamengo que, fundado em 1895, começou como clube de regatas e somente mais tarde se rendeu à popularidade do futebol e começou a praticá-lo.
naquela época o futebol era um esporte de elite, praticado principalmente por imigrantes ingleses que, em sua maioria, haviam vindo ao brasil para trabalhar na construção de ferrovias ou na indústria têxtil. muito bem remunerados e de cultura refinada, naturalmente passaram a se relacionar com a elite carioca, fundamentalmente composta de descendentes de portugueses, quando não lusitanos de fato, abastados. com o passar dos anos, o futebol passou a ocupar, cada vez mais, o lugar do remo como principal esporte na preferência popular. e dentro deste processo, muito se deve ao clássico vovô.
o primeiro clássico vovô foi disputado em 22 de outubro de 1905. foi um amistoso, no ground do fluminense, e terminou 6 a 0 para os anfitriões. nos anos seguintes o confronto foi se repetindo e assim foi amadurecendo a rivalidade entre os dois clubes. em trecho de "o negro no futebol brasileiro", mario filho descreve a atmosfera pré-jogo de uma partida realizada no início da década de 1910:
assim o clássico cresceu e se tornou o clássico vovô. em 103 anos de rica história, o duelo decidiu 4 campeonatos cariocas, com o fluminense vencendo em 3 oportunidades (1946, 1971 e 1975) e o botafogo sagrando-se campeão, já com mané garrincha, em 1957."Nas ruas, um homem metido numa enorme bola de papelão, as pernas e cabeça de fora. Na bola, em letras grandes, o anúncio do jogo. 'Hoje, no ground do Fluminense, grande match de futebol, Fluminense e Botafogo. Hoje, todos ao ground do Fluminense."
nos últimos anos, fluminense e botafogo têm feito clássicos muito equilibrados, normalmente com poucos gols. também não decidem títulos de expressão há 23 anos. porém, nada pode diminuir a magia deste confronto centenário. a magia da tradição do mais antigo clássico do futebol brasileiro. o clássico vovô.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
futebol brasileiro em transe, já!
o jogo de ontem, contra a bolívia, no engenhão, foi o espelho de todo este processo. a começar pelo local do jogo, um estádio lindíssimo, porém comprovadamente construído com superfaturamento para a realização dos jogos panamericanos do rio de janeiro, no ano passado. não podemos deixar de lado também, o preço dos ingressos. dos 45 mil que foram colocados à venda, 15 mil(!!!), isso mesmo, 15 mil foram disponibilizados para convidados e camarotes corporativos, aqueles espaços em que os fiéis representantes da elite branca podem tomar o seu champagne e posar para suas fotos em colunas sociais enquanto, de vez em quando, espiam o jogo ao fundo. aproximadamente 20 mil ingressos foram colocados à venda com preços de 100 ou 200 reais e apenas 10 mil foram destinados ao povão, com o módico preço de 30 reais. resultado: arquibancadas vazias e uma verdadeira luta de classes na platéia. de um lado, a elite do camarote, de outro, o povão da arquibancada. fenômeno semelhante ao que ocorria na década de 1910, em que havia uma divisão do espaço destinado aos espectadores nos estádios. nas aquibancadas os ricos, e na geral, os pobres, que eram obrigados a assistir o jogo em pé. neste aspecto, ao contrário do que tenta vender a cbf, com seu nefasto discurso de modernidade, o futebol brasileiro está 100 anos atrasado.
pois bem, vamos ao jogo. um jogo horroroso, uma seleção brasileira apática, sem brilho, sem criatividade, sem jogadas ensaiadas, uma orquestra de grandes músicos, porém sem maestro e totalmente desafinada. um time mal convocado, mal escalado e mal substituído, um verdadeiro desastre. as vaias foram inevitáveis, porém incomuns. foram vaias de vergonha, de desprezo, de ódio. um pouco escassas, é verdade. o pessoal do camarote não devia estar muito preocupado com isso.
vi o jogo e fui dormir com o mesmo sentimento dessa gente da arquibancada, da geral dos anos 10. de indignação. depois fiquei pensando o que poderia ser feito para reverter este quadro. somente demitir dunga, talvez não seja o caminho. deve-se promover um movimento de democratização da cbf. para o bem da seleção masculina, da feminina mais ainda e, principalmente, algo que sirva de exemplo para os clubes de futebol do brasil. que aconteça em todos eles processos similares aos que aconteceram em vasco e conrinthians, que depuseram seus ditadores recentemente. o corinthians ainda aprovou um estatuto que proíbe a reeleição, um grande passo. a cbf poderia seguir o mesmo caminho, mas por vontade própria, certamente não seguirá.
estou convencido de que apenas com uma verdadeira tragédia futebolística, algo poderá ser feito. baseado mais na fé e na devoção (tipicamente brasileiras) do que na lógica aristotélica ou qualquer lógica de outra natureza, sinceramente acredito que somente uma não-classificação para a próxima copa do mundo possa mobilizar a sociedade para uma mudança profunda. seria a morte do futebol brasileiro. para isso, me apóio nas palavras de glauber rocha, pai do cinema novo, mais especificamente em trecho brilhante de "terra em transe", uma de suas grandes obras:
Ando pelas ruas e vejo o povo magro, apático, abatido. Este povo não pode acreditar em nenhum partido.Este povo alquebrado, cujo sangue sem vigor... Este povo precisa da morte mais do que se possa supor.
O sangue que estimula meu irmão à dor, o sentimento do nada que gera o amor.
A morte como fé, não como temor!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
sobre o clube de regatas do flamengo
(à época havia) Um traço comum: a paixão pelo futebol. Era isso que assustava o clube de remo. De tal modo que foi uma luta convencer o Flamengo a entrar para o futebol. Nem mesmo recebendo de presente um time campeão, inteirinho, que tinha saído do Fluminense.
Dos campeões de 11, somente dois ficaram fiéis ao Fluminense: Osvaldo Gomes e Calvert. Os outros, Baena, Píndaro e Neri, Lawrence, Amarante e Galo, Baiano, Alberto Borghert e Gustavo de Carvalho, alguns do Rio (Futebol Clube), o clube de garotos do Fluminense, dispostos a ir para o Flamengo. E levando sócios com eles, torcedores, gente que o Flamengo precisava.
O Flamengo hesitou, acabou cedendo, mais para fazer uma experiência. Se o futebol não combinasse com o remo, nada feito.
...
(poucos anos depois) Também o remo e o futebol já se tinham misturado. O Flamengo não era mais dois clubes que viviam juntos, um de remo, outro de futebol, era um clube só. Com mais glórias até no futebol do que no remo. Só depois de levantar dois campeonatos de futebol é que o Flamengo levantou um campeonato de remo.
O futebol fizera-o mais forte em tudo, até no remo.
e foi assim que surgiu a maior torcida de futebol do mundo. deste embrião.
o flamengo sempre foi grande no futebol. pode-se dizer que este período de abnegação ao esporte bretão, de 17 anos desde a sua fundação, foi uma espécie de gestação do sentimento futebolístico no coração do flamenguista. e quando este desabrochou, foi com vontade. o flamengo é raça, paixão, tradição. o flamengo é arte. é futebol-arte.
o flamengo só não teve pelé porque o rei era vascaíno, mas teve seu antecessor e seu sucessor zizinho e zico, respectivamente. teve também dida, ídolo de zico. dida era o camisa 10 e principal craque da seleção às vésperas da copa de 58, quando sofreu uma contusão e deu lugar ao jovem pelé. até garrincha jogou no flamengo, porém sem brilho, em fim de carreira. nem precisava, seria muita crueldade que garrincha não tivesse brilhado no botafogo, e sim no flamengo.
os campeonatos começam e terminam, o flamengo os vence ou os perde, mas aconteça o que acontecer, o flamengo continua flamengo. não sou flamenguista, particularmente no rio de janeiro até tenho mais afinidade com o botafogo, mas é impossível ficar indiferente ao brilho ofuscante do flamengo.
ontem cometi uma tolice, apostei contra o flamengo com meu irmão flamenguista.
no atual campeonato brasileiro, o flamengo ocupa a 4° posição, com 40 pontos ganhos. após um ótimo início, quando liderou a competição por várias rodadas, o time de caio júnior sofreu algumas baixas, em decorrência da janela de transferências dos clubes europeus, perdendo alguns importantes jogadores transferidos para o exterior. como solução foi buscar atletas de outros países da américa do sul, como o uruguaio sambueza, de outras equipes nacionais, como o atacante vandinho e até da europa, como o veterano marcelinho paraíba, entre outros. após um período de queda de rendimento e de adaptação destes novos atletas, o flamengo parece estar readquirindo a velha forma e, se aproveitando do nivelamento (por baixo) de todas as equipes do brasileirão, vem subindo de produção e vencendo importantes jogos, como o de ontem, contra o figueirense, em florianópolis, por 3 a 2.
agora, voltando à aposta: eu apostei que o flamengo perderia ou empatava e o meu amigo que o flamengo venceria. conseqüentemente, se eu vencesse, ele teria que me pagar uma cerveja e se ele (ou o flamengo, como preferir) vencesse, eu teria que lhe pagar uma cerveja e escrever sobre o jogo de ontem no blog.
aceitei na hora, mas nem tomei conhecimento do jogo. no fim das contas, tenho de fazer uma confissão. no fundo, no meu inconsciente, eu estava torcendo para o flamengo pois, pensando melhor, eu só teria a ganhar. ganhar a oportunidade de pagar uma cerveja ao meu amigo-irmão flamenguista-roxo (e tomá-la com ele, obviamente) e de escrever sobre esta página das mais importantes da história do futebol: o clube de regatas do flamengo.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
raízes olímpicas brasileiras
além disso tudo, ainda cria, em grande parte da população, um sentimento de desinteresse pelo esporte em geral, semelhante ao já consolidado desprezo pela política nacional, uma sensação de impotência diante do poder tirânico dos faraós dos campos, quadras, piscinas e pistas brasileiros. a única paixão que transcende todo esse sentimento é o futebol.
pois bem, para boa parte do povo brasileiro a única coisa que interessava nesta olimpíada era a conquista inédita da medalha de ouro no futebol masculino, para muitos o único título que faltava no imenso quadro de honras do futebol brasileiro. faltava não, ainda falta. ignorando a paixão enraizada na cultura brasileira pelo futebol, os mesmos dirigentes de sempre repetiram a mesma fórmula de todas as outras olimpíadas: falta de planejamento, que passa pela contratação de um técnico inexperiente, incompetente e altamente manipulável, uma administração criminosa, que privatizou o direito de explorar a imagem da seleção e marcar torneios e amistosos, como se o futebol brasileiro fosse propriedade de alguma pessoa, que comprovadamente lucra (e muito) com tudo isso e nada repassa em benefício do desenvolvimento do esporte no país; que poderia ajudar, por exemplo, as meninas do futebol feminino que, mais uma vez, nos enchem de orgulho e vão disputar a medalha de ouro. mas nada faz por elas.
enfim, foi 3 a zero para a argentina, fora o baile. uma tragédia anunciada, com feições olímpicas. porém, com raízes dolorosas, conclusivas e, fundamentalmente, brasileiras.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
menos futebol, mais volantes
dunga tem tudo a ver com a cbf. é pau-mandado, não se opõe a amistosos de ocasião, tipo caça-níquel, não tem pudores em convocar jogadores-nike só para serem vendidos para o exterior, adora o chamado "futebol competitivo", que só pensa na vitória a qualquer custo, mesmo que, para isso, tenha que jogar feio e vencer roubado no último minuto. acha até mais gostoso. não foi o caso de hoje, só jogou feio, muito feio. mas que alegria deve ter sido! o brasil venceu, com gol de um volante, que joga no brasil. que lindo, mais uma transferência. só falta ser jogador-nike, aí sim! deve ter pensado: "agora vou pra coletiva e vou acabar com esses jornalistas viúvos do zico, do falcão, do sócrates. agora é lucas, hernanes e anderson, e fim de papo. só engoli esse ronaldinho porque o patrão exigiu. se dependesse de mim, ah... esse maldito me fez encerrar a carreira no inter depois de um drible incrível e a perda do título gaúcho. nem a falta consegui fazer. por mim ele morreria! mas agora ele come na minha mão, ha ha ha..."
o brasil ganha, mas quem perde é o futebol.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
futebol não é nada, imagem é tudo
em bom português, muito jogador considerado craque de bola da presente época, muitas vezes, analisando-se de forma minimamente racional e/ou cética, não passa de jogador comum com imagem muito bem "trabalhada", ou seja, tem uma imagem muito "maior" que o seu futebol.
o internacional de porto alegre, campeão mundial de clubes em 2006, parece estar investindo fortemente na "fórmula da imagem". após um decepcionante início de campeonato brasileiro, com a contratação do técnico tite, o inter vem se recuperando e subindo na tabela rodada a rodada, com boas atuações de nilmar e alex. o time parece estar se acertando, porém a diretoria, não satisfeita, acertou, nos últimos dias, duas contratações de muito impacto e, historicamente, muitos problemas e pouco futebol. tratam-se de andrés d'alessandro, meia-armador argentino, ex-river plate, wolfsburg, portsmouth, san lorenzo e seleção argentina e gustavo nery, lateral-esquerdo, ex-santos, guarani, são paulo, corinthians, zaragoza, werder bremen, fluminense e seleção brasileira. ambos ganharam notoriedade da noite para o dia, souberam se aproveitar e criaram uma imagem de ótimos jogadores, mesmo tendo pouquíssimos triunfos e muitos problemas durante a carreira. d'alessandro surgiu muito jovem no river e foi considerado mais um daqueles tidos como "sucessores de maradona na seleção argentina". ficou famoso entre os torcedores do corinthians por ter sido o principal algoz da eliminação da equipe paulista da copa libertadores de 2003. fracassou no wolfsburg e na seleção e, rapidamente, deixou de ser convocado. após uma passagem apagada pelo portsmouth, marcada por problemas de relacionamento, retornou à argentina, desta vez para jogar no san lorenzo, sendo o principal astro do time montado para ganhar a libertadores deste ano, que marca o centenário do clube. mais uma vez, fracassou. por 7 milhões de dólares, chega ao inter, com a responsabilidade de se tornar o principal jogador colorado. no mínimo, uma contratação de risco.
já gustavo nery tem sua carreira marcada pela inconstância. tido como um jogador versátil e de grande preparo físico, em todos os clubes em que passou, ficou mais tempo contundido do que jogando. também foi considerado o pivô de muitos problemas de relacionamento e chegou a ser chamado de "laranja podre" pelo técnico nelsinho baptista, quando ambos trabalhavam no são paulo. sua carreira na europa também foi um fracasso, não se firmando em nenhum dos clubes pelos quais passou.
sem dúvida, com este pensamento, o inter está entrando no perigoso e arriscado território da ilusão. a ilusão da imagem.
terça-feira, 15 de julho de 2008
o negro no futebol globalizado
vascaíno quando criança, pelé foi o maior jogador da história do futebol, marcou quase 1.300 gols e foi eleito por inúmeras vezes o atleta do século XX. consagrou-se no santos e no fim da carreira foi jogar nos estados unidos para ganhar dinheiro. e conseguiu ganhar muito dinheiro. pelé foi tão brilhante como atleta quanto como produto do capitalismo, tornando-se um excelente garoto-propaganda e ganhando milhões pelo mundo até os dias de hoje. de origem humilde, negro e pobre, pelé é exaltado como alguém que "venceu na vida", que "deu certo". de fato, diante da lógica capitalista, ele realmente venceu, porém se procurarmos enxergar o outro lado desta valiosa moeda, pelé é alguém que perdeu sua identidade, e pior, com a visibilidade que adquiriu através da fama, nada fez pela "causa negra" no futebol, a mesma causa do jovem de origem pobre (que, na maioria das vezes, é afro descendente), que continua sendo explorado e tendo sua personalidade violentada e moldada de forma a atender plenamente às exigências capitalistas. muito pelo contrário, pelé é peça fundamental para a manutenção deste processo, sendo um dos maiores "queridinhos" da riquíssima fifa, órgão máximo do futebol, e também de exploração dos majoritariamente pobres atletas profissionais.
nas últimas semanas, li muitos cronistas esportivos criticando fortemente ronaldinho gaúcho e robinho, que estão forçando suas saídas de barcelona e real madri para milan e chelsea, respectivamente. eu vejo de outra forma. negros e de origem humilde, ambos gostavam de jogar bola na rua quando crianças e decidiram "tentar a vida" no futebol profissional. conseguiram e, dentro do contexto globalizado, adquiriram fortuna e status de ídolo da noite para o dia. não se pode cobrar destes dois meninos que eles tenham mentalidade de administrador de empresas, que sejam profissionais exemplares, e mais, que, sem muita instrução adequada, não se sintam acima do bem e do mal, diante de tanto dinheiro e fama. eles são mais dois negros explorados pelo capitalismo; pela elite branca de empresários que é quem mais lucra com o futebol profissional. também não são vítimas, são apenas produtos do futebol globalizado.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
aos números
após 9 rodadas, o flamengo, que há 16 anos não conquista o campeonato brasileiro, é líder com cômodos 5 pontos de vantagem para os vice-líderes cruzeiro, grêmio, vitória e palmeiras. além disso, vem jogando bem e tem o artilheiro do campeonato, marcinho, que tem os mesmos 6 gols de alex mineiro do palmeiras. faltando 29 rodadas par o término do campeonato, ainda é cedo para arriscar qualquer palpite, mas é inegável que a equipe da gávea é uma das favoritas para levar o título, o que seria o sexto de sua história, e que consagraria o flamengo como maior campeão do campeonato brasileiro desde que passou a ser denominado desta maneira, em 1971.
já o corinthians, após as mesmas 9 rodadas, lidera a série b, com os mesmos 5 pontos de vantagem do flamengo. com um futebol visivelmente muito superior ao dos demais participantes, o corinthians vem mostrando que vai subir facilmente à série a e, salvo aconteça alguma tragédia, será campeão da série b do campeonato brasileiro pela primeira vez em sua história.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
o futebol bonito
pois bem, a espanha foi campeã européia. diante da alemanha, no quintal alemão, jogando bonito, com niño torres, fábregas, casillas no gol, o cão-de-guarda brasileiro marcos senna e tudo mais. a alemanha, o futebol feio mais famoso e vitorioso de todos os tempos sucumbiu diante do flamenco do esquadrão espanhol que, mesmo sob o comando de um técnico antiquado e atrasado como luis aragonés, dominou a partida do primeiro ao último minuto e venceu por 1 a 0. incontestável, 1 a 0 para o futebol bonito.
ontem no maracanã, tudo muito bonito. a torcida, a festa, o próprio maracanã e dois times de futebol muito ofensivo, muito interessante, muito empolgante, muito bonito. na beleza, empate, e no resultado somado, também. resultado: disputa por pênaltis. e quem fez bonito foi a ldu, que calou renato gaúcho, calou o maracanã e levantou o troféu mais desejado da américa do sul.