quinta-feira, 26 de junho de 2008

o futebol e a rede

futebol e rede há muito tempo têm fortes laços de união. muito se ouve dizer que futebol é "bola na rede", que o atacante "balançou a rede" do adversário e outras coisas do tipo. porém, pelo menos a partir do início dos anos 80, com a revolução da informação, a globalização de tudo, inclusive da cultura ou, se preferir, a imposição da cultura imperialista guela abaixo, o futebol passou a depender de redes. de redes de televisão.
a maior parte dos clubes de futebol profissional dos principais campeonatos do mundo depende quase que exclusivamente dos patrocínios pagos pelas redes de televisão. em troca, acabam se sujeitando a aceitar tabelas por elas impostas, a remanejar datas de jogos para transmissão televisiva e a aceitar passivamente demonstrações claras de desrespeito à liberdade de escolha do torcedor.
na última quarta-feira, ontem, a rede, em todos os sentidos, foi a protagonista do recheado dia de futebol. pela tarde, alemanha e turquia fizeram a primeira semifinal da eurocopa 2008. num jogo eletrizante, os alemães balançaram a rede turca por 3 vezes, contra 2 dos turcos. pena que, graças a uma falta de estrutura ímpar para os padrões europeus, em todas as partes do mundo, todos os que estavam assistindo o jogo ao vivo pela televisão, tiveram o desprazer de serem impedidos de ver praticamente metade do jogo, inclusive perdendo 2 gols da partida, um de cada equipe. a rede de televisão responsável pela transmissão da euro não resistiu a uma tempestade de verão, típica da época, que derrubou o sinal e cegou os entusiasmados telespectadores por várias vezes durante o duelo.
mais tarde, outra bola fora. desta vez da rede globo, dona do futebol brasileiro, para não dizer do brasil, que privou os telespectadores paulistas de assistir o festival de bola na rede acontecido em quito, no equador, pelo primeiro jogo da final da libertadores: ldu 4 x 2 fluminense, que agora, no jogo de volta no maracanã, terá de balançar a rede da equipe equatoriana 3 vezes, sem deixar que balancem a sua, para levantar o caneco sulamericano pela primeira vez na sua história, sem necessidade de prorrogação nem pênaltis. a rede globo acabou transmitindo para são paulo, no mesmo horário, o monótono empate em 1 a 1 do corinthians contra o bragantino válido pelo, não menos sem graça, campeonato brasileiro da série b.
hoje quem balançou bastante a rede foi a espanha, 3 a 0 na rússia pela outra semifinal do campeonato europeu de seleções. desta vez, pelo menos, sem tempestades. domingo tem alemanha e espanha disputando o título. é sinal de muita bola na rede ou maior chance de queda de sinal por falha da rede? veremos.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

grande berry!

há cerca de um mês, comprei o ingresso para o show do chuck berry, a lenda viva do rock'n'roll. por nada eu perderia essa chance de ver o homem ao vivo, nem por um brasil e argentina. pois assim foi. semana passada me dei conta que o dia 18 de junho, além de aniversário de 66 anos de paul mccartney, seria a data do jogo brasil x argentina no mineirão. mas e daí, que brasileiro se importa com a seleção nos dias de hoje? não fosse o ufanismo exacerbado de galvão bueno e a globo, pouca gente daria alguma importância para esse jogo, um brasil x argentina com cara de amistoso, nada mais que isso. mas, por quê?
os motivos são vários, porém o maior deles é a falta de identificação dessa seleção com o povo brasileiro e a significativa falta de compromisso de boa parte dos jogadores para com esta sagrada camisa. fora isso, um técnico que é símbolo de anti-futebol, um pau-mandado da cbf que, por sua vez, não representa a seleção do povo brasileiro, longe disso, vendeu a comercialização dos jogos brasileiros para uma empresa de eventos estrageira, como se a nossa seleção fosse um produto, vendendo assim também os nossos sentimentos.
o resultado de toda essa história não poderia ser diferente: uma seleção apática, jogadores sem vontade, sem gana, sem raça, um técnico sem experiência, sem qualidade e sem nenhum, absolutamente sem nenhum carisma, característica fundamental para um técnico de seleção brasileira.
comecei então a gargalhar do fato de o show ter sido no dia do jogo. passei uma noite agradável ao lado dos meus amigos-irmãos, ao som de chuck berry, ao vivo (!), e ainda tive o prazer de não assistir a um aparentemente muito tedioso brasil 0x0 argentina. grande berry!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

ratzel e o sport recife

o sport recife é o mais novo campeão da copa do brasil. eliminando favoritos, todas as vezes fazendo o resultado em casa, a equipe pernambucana venceu ontem o corinthians na final e faturou o caneco. mas qual será a receita do sucesso do leão do norte?
com um time muito experiente, cheio de "refugos" de vários grandes clubes do brasil, como daniel, agora daniel paulista (ex-corinthians), sandro goiano (um puro-sangue ex-grêmio), romerito (ex-corinthians), leandro machado (ex-internacional), enílton (ex-palmeiras), roger (ex- são paulo e palmeiras) e principalmente carlinhos bala, que passou pelo cruzeiro mas voltou a pernambuco, comandados pelo, não menos refugo, técnico nelsinho baptista (ex-quase todas as equipes do brasil e do japão), o sport trucidou todos os adversários na ilha do retiro, vencendo a copa e conseguindo assim, também, uma vaga na libertadores do ano que vem.
se para friedrich ratzel, geógrafo determinista alemão, território significava poder, para a equipe do sport, campeã da copa do brasil 2008, com méritos, não foi diferente. porém, o predomínio do fator campo para a equipe pernambucana se traduziu, não só através do apoio de sua fanática torcida, como também como um elemento de intimidação, se valendo de atitudes escusas como não permitir que o time adversário se aquecesse no gramado e não ceder a carga de ingressos adequada à torcida do time visitante. fora tudo isso, o fator campo para o sport foi ainda mais decisivo em outro sentido, muito mais inusitado e pouco abordado pela mídia até aqui. como ainda ninguém se perguntou como jogadores de tão baixo nível técnico como os do sport, comandados por um técnico tido como ultrapassado como nelsinho baptista, conseguiu resultados tão expressivos diante de times como inter, palmeiras e até corinthians, todos com elencos e comissões técnicas de níveis superiores aos seus? para mim, uma coisa ficou clara: o fator campo em sua concepção mais crua, o campo de jogo, propriamente dito, o gramado que, na ilha do retiro, mas se assemelha a um pasto ou a uma plantação de batatas, lugar em que o sport treina todos os dias, conhece todos os buracos e imperfeições, já se acostumou com os "quiques" inesperados de cada passe ou chute e sabe exatamente a velocidade que deve ser imposta à bola para cada tipo de jogada. quem disse que o fator campo (ou território) não ganha jogo, acertou, pois ele ganha muito mais do que isso; ganha título.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

fandango rio-são paulo

o fandango é uma dança de origem ibérica, datada do período barroco, praticada aos pares, aos sons da viola, da castanhola e do sapateado. no brasil, "fandango" designa um bailão tipicamente gaúcho, da população rural dos pampas, uma festa que reúne homens e mulheres, de todas as idades, numa grande confraternização em torno da dança, praticada através de uma grande roda em que as "damas" acompanham os passos dos cavalheiros, que têm liberdade para improvisar, a fim de impressionar suas respectivas damas, tudo isso ao som da viola e do acordeão.
pois, ontem o futebol foi um grande fandango.
em são paulo, o corinthians do gaúcho mano menezes, tirou o sport para dançar e chegou a estar vencendo por 3 a 0 (gols de dentinho, herrera e acosta) até o último minuto de jogo, quando tomou um gol estilo "água no chopp" de enílton, decretando o placar final de 3 a 1. no jogo de volta, para dançar o frevo, o sport terá de vencer por 2 a 0 ou, se tomar gol, por 3 ou mais gols de diferença, caso contrário, terá de assistir o gaúcho william, zagueiro, xerife e capitão do corinthians, dançar o fandango com o caneco na mão, na ilha do retiro.
na cidade maravilhosa, o jogo de volta da final antecipada da libertadores entre fluminense e boca juniors começou ao tom do tango, com o gol de palermo, de cabeça, pra variar, abrindo o placar no maior do mundo. porém, empurrado por 85 mil tricolores e comandado por renato gaúcho, um gaúcho-carioca, mas nem por isso menos gaúcho, deu-se ínicio ao fandango que começou com o gol de falta de washington coração-de-leão, passou pelo gol de conca, com a ajuda da atordoada zaga xeneize e terminou em grande estilo com o gol de dodô, o artilheiro dos gols bonitos. um baile tricolor, que agora enfrenta a zebrassa ldu, do equador, tendo ainda a vantagem de jogar a finalíssima no maracanã. como a própria torcida diz, "o show tem que continuar".

terça-feira, 3 de junho de 2008

expectativa

é saborosa a expectativa no futebol. e, em tempos de decisão, essa expectativa aumenta, saborosamente. seja na sua pelada de fim-de-semana ou no jogo do seu time de coração, a expectativa alimenta a explosão da vitória ou a decepção da derrota.
no campeonato brasileiro, a maior expectativa é para que este comece de fato, o quanto antes. claramente esvaziado pelas fases decisivas de libertadores e copa do brasil, e pela abertura do mercado europeu que, certamente, varrerá boa parte de nossos talentos até o final de julho, só deve começar, verdadeiramente, em agosto, quando as equipes terão os seus elencos definitivos para o restante da temporada.
mais especificamente para algumas equipes, a expectativa anda em alta. no santos, ela vem para o início do trabalho do técnico cuca, que se desligou do botafogo e desembarcou na vila belmiro. será que cuca terá apoio, principalmente financeiro, para realizar um bom trabalho?
já no internacional, a expectativa fica para a chegada de um novo técnico, após a saída de abelão para o petrofutebol árabe. será que esse time, excelente no papel, enfim decola em campo?
no são paulo, a expectativa gira em torno da permanência de muricy. será que ele suporta mais 2 ou 3 resultados negativos?
para o botafogo, aconselho aos seus torcedores a não alimentarem muitas expectativas, pois sem dinheiro e com geninho, o ano tem tudo para ser muito difícil.
por falar em botafogo, fiquemos atentos à truculenta polícia do recife para o segundo jogo da final da copa do brasil na ilha do retiro. bairrismo ou despreparo mesmo?
o sport, que (ainda) não tem nada a ver com isso, se prepara para encarar o corinthians, na expectativa de não sentir a ausência de romerito, de volta ao goiás.
já, para o corinthians, resta a expectativa de fazer um grande jogo amanhã no morumbi, para poder viajar tranquilo para o jogo de volta no caldeirão pernambucano. e que os "pendurados" dentinho, chicão, william e herrera, não tomem cartão, pelo amor de deus!
porém, sem sombra de dúvidas, a maior expectativa da semana fica por conta da final antecipada da libertadores, entre fluminense e boca juniors no maracanã. e, mais uma vez, fica a expectativa, pelo lado tricolor, para que o fluminense não se intimide diante da mística xeneize e, pelo lado porteño, para que o boca mantenha acesa a chama dessa mística.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

heróis e vilões

no esporte, em que a linha que separa a vitória da derrota é tão tênue e a glória caminha junto com a profunda decepção, é natural que se produza, através deste processo, um enorme número de heróis e vilões. e, como não poderia deixar de ser, no futebol isso acontece com muita intensidade, dada a sua popularidade e o fanatismo de seus incontáveis aficcionados.
a noite de ontem foi um grande exemplo de tudo isso. em buenos aires, no estádio do racing, foi disputado o primeiro jogo de uma das semifinais da libertadores. o fluminense conseguiu um bom empate diante do poderoso boca juniors por 2 a 2. nesta partida, a torcida argentina se viu diante de um grande herói e um impiedoso vilão. o herói, como sempre, foi riquelme, que marcou os dois gols xeneizes. já o vilão foi o goleiro migliore que tomou um frangasso, permitindo o empate do fluminense.
em são januário, jogo de volta da semifinal da copa do brasil entre vasco da gama e sport recife. o sport tinha conseguido uma grande vantagem no jogo de ida, 2 a 0. ontem, o vasco, precisando partir para cima, fez um primeiro tempo apático e todas as grandes chances de gol acabaram sendo pernambucanas, porém o 0 a 0 se manteve. já no segundo tempo, o vasco pressionou e conseguiu o primeiro gol através de leandro amaral, numa cabeçada. o resultado de 1 a 0 ainda não era suficiente e, por isso, o vasco continuou tentando. no fim do jogo, quando todas as esperanças haviam praticamente se esgotado, eis que surge edmundo, enterno ídolo vascaíno, para completar para o gol o rebote do goleiro magrão, e como um herói decretar a decisão por pênaltis. porém, logo na primeira cobrança da séire, edmundo faz o vascaíno reviver o pesadelo de outras vezes. assim como na decisão do mundial de clubes de 2000, diante do corinthians, edmundo perde o pênalti, todos os outros batedores de vasco e sport acertam e o sport está na final. edmundo, mais uma vez, vira vilão.
no morumbi, a outra semifinal. corinthians e botafogo jogando a partida de volta, após uma vitória carioca por 2 a 1, de virada, uma semana antes, no engenhão. no primeiro tempo, muito medo por parte das duas equipes e um apagado 0 a 0. na segunda etapa, o corinthians começou com tudo e, aos 6 minutos, através de uma jogada pela direita do argentino herrera, acosta, que havia acabado de entrar, desviou para o gol fazendo 1 a 0, resultado que classificava o corinthians pelo critério de gols marcados fora de casa. porém, a fiel quase nem pôde sentir o gosto da classificação. 2 minutos depois, o botafogo empatou. o goleirão corinthiano felipe falhou feio no cruzamento vindo da direita, errando o tempo de bola, e o zagueiro botafoguense renato silva, da pequena área, completou para o gol vazio. um momento de angústia no morumbi. logo a angústia deu lugar à alegria. após falta sofrida por dentinho, próxima ao bico direito da grande área carioca, chicão cobrou por cima da barreira e marcou o gol da redenção corinthiana. 2 a 1, resultado que se manteve até o fim da partida sem grandes sobressaltos, revelando uma certa cautela de ambas as equipes a partir de então. dessa forma, decisão por pênaltis. o corinthians começou cobrando e marcou. o botafogo também. as 9 primeiras cobranças foram convertidas sem dificuldade, até que o lateral-esquerdo zé carlos, do botafogo, que havia entrado no meio do segundo tempo, correu para a bola e bateu firme, a meia altura, no canto direito para espetacular defesa de felipe. definitivamente a noite era corinthiana e felipe tinha passado de vilão a herói e, dessa forma, para a história.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

emoção

após um pequeno recesso para o feriadão, estamos de volta.
e vamos falar de emoção. o sentimento de emoção, tão presente em nossas vidas, talvez seja o mais saboroso combustível para a alma. para os esportistas, amantes dos esportes em geral, como é o meu caso, este combustível pode ser facilmente obtido, em doses cavalares, tanto na prática, quanto na observação da prática esportiva. e a última semana foi uma oportunidade valiosíssima para viver o segundo caso.
corinthiano que sou, vibrei muito na terça-feira com o grito da maravilhosa fiel alvi-negra ecoando no engenhão, estádio do botafogo, diante de uma maioria carioca absoluta. me emocionei. acabei indo dormir irritado com a virada botafoguense, na base da raça e da emoção, no final do jogo. 2 a 1, mas dá pra reverter. no outro jogo, a emoção transmitida pela torcida do sport na ilha do retiro, a mesma que eliminou palmeiras e inter da copa do brasil, funcionou também contra o vasco. 2 a 0 pesados para se reverter em são januário.
na quarta, mais emoção. começando com a épica final da champions league. chelsea e manchester united fizeram um jogo até que morno no tempo normal e na prorrogação, com destaque para o brilho das estrelas cristiano ronaldo e lampard. e, como não poderia ser diferente, a maior carga de emoção ficou para o final: decisão por pênaltis e vitória do manchester através da perda do pênalti do capitão e torcedor número um do chelsea, o zagueirasso john terry, que ficou tão triste que até escreveu uma carta de desculpas para o torcida no dia seguinte. uma emocionada declaração e amor eterno.
mais tarde, o boca no méxico. o time xeneize é realmente só emoção na libertadores. após empatar, no jogo de ida, de forma decepcionante, por 2 a 2 com o atlas, no estádio do vélez, foi ao méxico e enfiou sonoros 3 a 0, com direito a golaço, por cobertura, de palermo, que nunca foi de fazer gol bonito, diga-se de passagem.
no maracanã, não precisaria nem falar. um jogasso, muito emocionante. com a vantagem do empate, por ter vencido o jogo de ida por 1 a 0 no morumbi, o são paulo entrou cauteloso no primeiro tempo contra o ofensivo fluminense, que abriu o placar. a partir daí o jogo ficou franco, com nenhum dos dois times querendo levar a decisão para os pênaltis. de repente, o são paulo empata, com adriano, pra variar. porém, o fluminense faz mais um no minuto seguinte, numa desatenção da zaga paulista e falha do goleiro rogério ceni. daí pra frente, só pressão do fluminense, coroada a meio minuto do fim com o gol salvador de cabeça de washington coração valente. sensacionalmente emocionante.
fluminense e boca farão uma semifinal, que fica com um jeitão de final antecipada diante da outra semifinal entre ldu e américa do méxico que acabaram eliminando san lorenzo e santos, respectivamente, na quinta-feira.
sexta-feira, a emoção para mim, excepcionalmente, não se concentrou no esporte. li o livro-biografia de tim maia, escrito por nelson motta, inteirinho no mesmo dia e quase chorei no final. recomendo.
já no sábado, um momento para relembrar ayrton senna. pole-position de felipe massa em mônaco. mais tarde, mais uma vitória do timão na série b. tá virando rotina, mas é sempre uma emoção.
já o domingo foi em clima de ressaca. felipe massa terminando num decepcionante terceiro lugar em mônaco e o campeonato brasileiro mais sem-graça do que nunca. times poupando jogadores para os jogos decisivos do meio de semana e um monte de empates por 1 a 1. de emocionante mesmo, e que emocionante, a despedida de guga das quadras em roland garros. nada mais aproriado para tal evento do que o sagrado solo francês, onde o manezinho da ilha levantou 3 canecos. apesar da já esperada derrota para o tenista da casa, cujo nome nem me lembro, o jogo foi todo para ele, com direito a troféu e discurso para o maior tenista brasileiro da história. grande guga! como diria fiori gigliotti, agüeeenta coração!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

seriedade e malandragem

o futebol brasileiro, essencialmente, sempre foi malandragem, ginga, drible, finta. no restante da américa do sul, essa malandragem inclui um forte traço de catimba e provocação. faz parte do nosso sangue latino e da nossa tropicalidade. já na europa, o futebol sempre foi encarado de forma mais séria, o próprio estilo de jogo de mais marcação e obediência tática, aspectos estes que nunca deram muita margem a nossa malandragem. porém, nas últimas décadas, com a globalização do futebol, com a troca de informações de forma muito mais rápida e dinâmica, e com os seguidos triunfos dos times que praticam futebol de resultado, vide as copas de 90, 94, 98 e 2006, além dos muitos exemplos de campeões nacionais por todo mundo, como, aqui no brasil, o pragmático são paulo nos últimos 2 anos, a malandragem do futebol começou a ficar fora de moda e, principalmente, passou a representar um risco à lucratividade, posto que não há nada mais lucrativo no futebol globalizado do que um time vencedor, não importando o tipo de futebol praticado.
na próxima quarta-feira teremos um grande duelo pela libertadores. estarão decidindo uma vaga nas semifinais da competição, no maracanã, o pragmático são paulo, do sério e carrancudo técnico muricy ramalho, que venceu o jogo de ida, no morumbi, por 1 a zero e o ofensivo e ousado fluminense, do malandro e polêmico técnico renato gaúcho, que não hesitou em comemorar o resultado obtido ao fim do jogo de ida. quem será que levará a melhor?
pelo campeonato brasileiro, aparentemente, mesmo tendo se passado apenas 2 rodadas, já temos favoritos tanto para a série "a" quanto para a série "b". quem desponta na primeirona como forte candidato ao título é o cruzeiro, com um forte time formado por muitos talentosos jovens jogadores, sob a batuta do ex-zagueirão e hoje técnico aspirante a estrategista adilson batista. correndo por fora estão também o palmeiras, do verdadeiro estrategista vanderlei luxemburgo e o internacional, do disciplinador abel braga, ambos tendo a vantagem de poder pensar somente na competição nacional, diferentemente do que acontece com outros candidatos naturais ao título como são paulo e fluminense, na libertadores, e o flamengo, já eliminado da competição sulamericana, porém ainda abalado pela inusitada derrota e a saída do comandante joel santana, que deu lugar ao ainda não totalmente adaptado e bonzinho demais caio júnior.
já na segundona, como não poderia nem deveria ser diferente, tudo indica para o total favoritismo do corinthians que, mesmo ainda pensando seriamente na copa do brasil, é o único time que venceu as duas partidas que fez no nacional, e parece realmente estar um passo a frente de todos os outros. e, falando em copa do brasil, amanhã o timão de herrera enfrenta o botafogo de cuca pelas semifinais num jogo imperdível.
também imperdível será a final inglesa da champions league nesta quarta. um grande duelo entre o futebol ofensivo, bonito e até moleque do manchester de cristiano ronaldo e carlitos tevez e o futebol de marcação e de rápidas saídas ao contra-ataque do chelsea de lampard e drogba. que vença o melhor.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

a globalização e o futebol

a copa da uefa, segundo mais importante campeonato europeu interclubes, foi decidida ontem, entre o azarão zenit, de são petesburgo e o improvável candidato ao título glasgow rangers, time da ala protestante escocesa. o zenit, de esquema tático mais ofensivo, venceu por 2 a zero e faturou o caneco. 5 anos atrás, tal resultado seria praticamente impossível, pois o zenit ainda era um time pequeno da rússia e nem sequer conseguia se classificar para qualquer competição européia. o fato é que há 2 anos o time foi comprado pela maior empresa de gás natural do mundo, a russa gazprom, que tinha como presidente, na época, nada mais, nada menos que o atual presidente da rússia, empossado na semana passada, dmitry medvedev. no início dessa temporada, o zenit investiu forte, contratando os melhores jogadores russos da atualidade e até alguns estrangeiros, totalizando um investimento de 220 milhões de dólares, investimento este que deu resultado e possibilitou a conquista do campeonato russo e da copa da uefa. nada mais simbólico do que o exemplo do zenit para explicar como o futebol se tornou, com a globalização, mais um grande negócio, onde investimento dá resultado e em que times são transformados em esquadrões da noite para o dia, não importando sua tradição ou qualquer outra coisa. agora, o próximo passo é a construção do estádio, um projeto de 280 milhões de dólares. nada mal para um time que nunca passou de um "marília" da rússia, com todo respeito ao grande mac.
por aqui, mesmo que em escala muito menor, o capital também faz as suas modificações na geografia do futebol. se, por um lado, o sport recife, talvez a maior sensação da copa do brasil deste ano, posto que o corinthians alagoano perdeu para o vasco por 3 a 1 e confirmou o seu adeus da competição, venceu o poderoso e rico inter de porto alegre, no alçapão da ilha do retiro por 3 a 1, e ficou com a vaga nas semifinais para enfrentar justamente o time cruzmaltino.
do outro lado da chave, o são caetano não resistiu ao time de maior receita de patrocínio do país, o corinthians, e perdeu também o segundo jogo do confronto nas quartas-de-final, desta vez por 3 a 1, e foi eliminado. o timão enfrentará o chorão botafogo de cuca nas semifinais.
o mais importante campeonato da américa do sul, a taça libertadores, também vem tendo a sua "rotina" alterada pelo fenômeno da globalização. o cantado em verso e prosa como favorito para levar o título, o boca juniors, empatou no estádio do vélez sarsfield, que foi utilizado devido à interdição da bombonera depois de incidentes ocorridos no jogo contra o cruzeiro na fase anterior, com o atlas do méxico por 2 a 2. os times mexicanos passaram a participar da competição em 2000 e de lá pra cá já tiveram um finalista, o cruz azul. muito populares e recheados de jogadores caros, fato que se deve ao investimento superior à maioria dos clubes sulamericanos, os times da terra da tequila vem dando um sabor diferente (nem melhor, nem pior) à agora "globalizada" libertadores, que passou a lucrar muito mais e, desta forma, a proporcionar prêmios muito mais generosos aos seus vencedores. em grande parte isso deve à "conquista" do mercado mexicano.
no outro jogo da noite, o duelo foi entre o são paulo, tradicional vencedor da libertadores, e o fluminense, participando somente pela terceira vez da competição sulamericana. embora tenha um patrocínio forte, o time das laranjeiras sucumbiu à tradição sãopaulina e ao imperador adriano que fez o seu quinto gol na competição e gatantiu a vitória por 1 a 0. adriano, por sua vez é um ótimo exemplo para a globalização no futebol. revelado pelo flamengo, o então desajeitado centroavante de 17 anos, se transferiu para a internazionale de milão. lá, ganhou corpo, dinheiro, fama e se transformou em "imperador". iludido pelo poder do capital, esqueceu de jogar futebol e, como tudo o que não serve para os países ricos é jogado de volta para os "em desenvolvimento", voltou para o brasil para jogar, desta vez, no são paulo. aparentemente recuperado, acaba de ser re-convocado para a seleção brasileira. será que agora ele tem mercado novamente na meca do futebol globalizado, a europa?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

sem surpresas

começou, no último fim de semana, o campeonato brasileiro 2008 séries "a" e "b". sem nenhum fato excepcional e esvaziados pelo fato de ter equipes que ainda estão em outras competições de mata-mata, mais exatamente copa do brasil e libertadores, a competição nacional começou revelando um futebol de muita correria e técnica deficiente.
sábado o corinthians estreiou na série "b" em casa, no pacaembu, contra o crb de alagoas. como de costume, a equipe paulista ganhou apertado, por 3 a 2, de uma equipe que se esperava que fosse goleada. o técnico mano menezes escalou um time estranhamente ofensivo demais para os seus padrões, com dois meias ofensivos e 3 atacantes, porém quando estava 3 a 1, no meio da segunda etapa, voltou ao normal, colocando mais dois volantes e fechando o time a ponto de acabar com o poder ofensivo e proporcionar uma certa pressão do fraco time do crb, que acabou conseguindo fazer o seu segundo gol.
também no sábado, o são paulo confirmou a incostância e perdeu para o grêmio no morumbi. num jogo feio e apático, tipo de jogo que vem marcando as atuações do são paulo neste ano, a equipe gaúcha jogou como gosta, explorando os contra-ataques e conseguiu um gol de cabeça através de uma paralisação mental momentânea da zaga e do goleiro sãopaulinos. o são paulo só ameaçou em cobranças de falta, porém sem sucesso.
no domingo, novamente nenhuma surpresa. no paraná, com muita soberba e pouco futebol, o atual campeão paulista, o palmeiras, perdeu para o coritiba de michael, que se diz "michel", um insinuante driblador de muito potencial, que também não é mais nenhuma surpresa, pois é ex-atleta do guaratinguetá, este sim surpreendente semifinalista do último paulistão, time que revelou o meia franzino e de futebol moleque que destruiu um sonolento time palmeirense, com um gol e um passe para gol. 2 a zero coxa.
o santos, como era de se esperar, foi ao maracanã com o time reserva e perdeu para o desmoralizado, porém titular, time do flamengo, que não teve dificuldades para vencer por 3 a 1. a mesma facilidade tiveram cruzeiro e botafogo, apontados como favoritos para o título desse ano, ao vencerem sport e vitória, respectivamente, por 2 a zero.
também esperado foi o empate do fraco atlético mineiro em casa, por 0 a 0, contra o time reserva do fluminense. o galo montou, para o ano do centenário, um time que, somadas as idades, deve ter perto de mil anos, e mais uma vez decepcionou o seu torcedor. falando em time experiente, o inter venceu o vasco em porto alegre, por 1 a 0 e também fez o que se esperava dele. assim como o náutico, que venceu o goiás no caldeirão dos aflitos, confirmando sua força em casa.
já o ipatinga, quase rebaixado no campeonato mineiro deste ano e caçula da primeira divisão, também não contrariou qualquer expectativa e perdeu para o atlético paranaense em casa, por 1 a 0.
se você acompanhou a rodada, deve estar querendo me perguntar: e o fantástico e inusitado 5 a 5 entre portuguesa e figueirense, no canindé, não é uma surpresa? não, eu explico. quem acompanhou o jogo, sabe que a portuguesa esteve o tempo todo na frente, chegando a estar vencendo, até os últimos minutos, por 5 a 2 e cedeu o empate no fim. quem conhece um pouco da história do futebol sabe que isso é típico da portuguesa, portanto, repito: sem surpresas.