terça-feira, 19 de agosto de 2008

raízes olímpicas brasileiras

olimpíadas, o maior evento esportivo do planeta. quantas vezes você ouviu ou leu esta frase nos últimos dias?
o espírito olímpico no brasil não vinga, é impressionante. é incrível como o povo não tem tempo, interesse e nem vontade de acompanhar o evento olímpico. ainda mais com os horários em que são realizados na edição deste ano. mas o problema do espírito olímpico brasileiro tem fundo muito mais grave. a raiz está na educação.
se é que algum dia chegou a ser, há muito tempo a educação deixou de ser prioridade no investimento público brasileiro. um dos reflexos deste descaso é a falta de prática esportiva na maioria das escolas do país, o que, dentre outros efeitos sociais devastadores, ocasiona uma terrível escassez de talentos esportivos. sem estes talentos revelados, o brasil vai ficando para trás na maratona olímpica por medalhas e, assim, deflagrando o roubo (recordista mundial) das federações, confederações e comitê olímpico nacionais. um ato mais nefasto que um simples desvio de verbas públicas em benefício de dinastias intermináveis de dirigentes inescrupulosos que fazem dos órgãos que administram o esporte nacional verdadeiras "casas da mãe joana", queimando as já insuficientes cotas de dinheiro público destinado ao desenvolvimento esportivo, um ato criminoso, cujas conseqüências são sentidas a longo prazo, em forma de impulso em nossas abandonadas crianças para o mundo do crime.
além disso tudo, ainda cria, em grande parte da população, um sentimento de desinteresse pelo esporte em geral, semelhante ao já consolidado desprezo pela política nacional, uma sensação de impotência diante do poder tirânico dos faraós dos campos, quadras, piscinas e pistas brasileiros. a única paixão que transcende todo esse sentimento é o futebol.
pois bem, para boa parte do povo brasileiro a única coisa que interessava nesta olimpíada era a conquista inédita da medalha de ouro no futebol masculino, para muitos o único título que faltava no imenso quadro de honras do futebol brasileiro. faltava não, ainda falta. ignorando a paixão enraizada na cultura brasileira pelo futebol, os mesmos dirigentes de sempre repetiram a mesma fórmula de todas as outras olimpíadas: falta de planejamento, que passa pela contratação de um técnico inexperiente, incompetente e altamente manipulável, uma administração criminosa, que privatizou o direito de explorar a imagem da seleção e marcar torneios e amistosos, como se o futebol brasileiro fosse propriedade de alguma pessoa, que comprovadamente lucra (e muito) com tudo isso e nada repassa em benefício do desenvolvimento do esporte no país; que poderia ajudar, por exemplo, as meninas do futebol feminino que, mais uma vez, nos enchem de orgulho e vão disputar a medalha de ouro. mas nada faz por elas.
enfim, foi 3 a zero para a argentina, fora o baile. uma tragédia anunciada, com feições olímpicas. porém, com raízes dolorosas, conclusivas e, fundamentalmente, brasileiras.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

menos futebol, mais volantes

fico imaginando a alegria de dunga quando viu hernanes fazer o gol da vitória do brasil na estréia olímpica, hoje pela manhã, diante do fraco time belga. uma alegria bem ao estilo dunga, raivosa, furiosa, revanchista. do mesmo tipo, porém menor em intensidade, da demonstrada quando levantou a taça do tetra, nos estados unidos. diante de autoridades, torcedores e câmeras do mundo inteiro, desabafou. um desabafo truculento, cheio de palavrões, que tinha como essência o sentimento de revanche. encarou a copa como uma resposta àqueles jornalistas-malas viúvos da copa de 82. era como se dissesse: "agora o futebol é dos volantes!", com raiva. tentando assim ofuscar a genialidade de romário, fator indispensável na viabilização da conquista.
dunga tem tudo a ver com a cbf. é pau-mandado, não se opõe a amistosos de ocasião, tipo caça-níquel, não tem pudores em convocar jogadores-nike só para serem vendidos para o exterior, adora o chamado "futebol competitivo", que só pensa na vitória a qualquer custo, mesmo que, para isso, tenha que jogar feio e vencer roubado no último minuto. acha até mais gostoso. não foi o caso de hoje, só jogou feio, muito feio. mas que alegria deve ter sido! o brasil venceu, com gol de um volante, que joga no brasil. que lindo, mais uma transferência. só falta ser jogador-nike, aí sim! deve ter pensado: "agora vou pra coletiva e vou acabar com esses jornalistas viúvos do zico, do falcão, do sócrates. agora é lucas, hernanes e anderson, e fim de papo. só engoli esse ronaldinho porque o patrão exigiu. se dependesse de mim, ah... esse maldito me fez encerrar a carreira no inter depois de um drible incrível e a perda do título gaúcho. nem a falta consegui fazer. por mim ele morreria! mas agora ele come na minha mão, ha ha ha..."
o brasil ganha, mas quem perde é o futebol.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

futebol não é nada, imagem é tudo

seguindo a linha das tendências pós-modernas/pós-anos 80, o futebol há um bom tempo já descobriu o poder da imagem como fonte de generosos lucros. nas duas últimas décadas, porém, com o avanço desenfreado da revolução tecnológica, com reflexos decisivos na velocidade do fluxo de informação, passou-se a ter como verdade a imagem e não o futebol, produzindo-se ídolos de um gol bonito, de uma jogada tida como mágica e nada mais.
em bom português, muito jogador considerado craque de bola da presente época, muitas vezes, analisando-se de forma minimamente racional e/ou cética, não passa de jogador comum com imagem muito bem "trabalhada", ou seja, tem uma imagem muito "maior" que o seu futebol.
o internacional de porto alegre, campeão mundial de clubes em 2006, parece estar investindo fortemente na "fórmula da imagem". após um decepcionante início de campeonato brasileiro, com a contratação do técnico tite, o inter vem se recuperando e subindo na tabela rodada a rodada, com boas atuações de nilmar e alex. o time parece estar se acertando, porém a diretoria, não satisfeita, acertou, nos últimos dias, duas contratações de muito impacto e, historicamente, muitos problemas e pouco futebol. tratam-se de andrés d'alessandro, meia-armador argentino, ex-river plate, wolfsburg, portsmouth, san lorenzo e seleção argentina e gustavo nery, lateral-esquerdo, ex-santos, guarani, são paulo, corinthians, zaragoza, werder bremen, fluminense e seleção brasileira. ambos ganharam notoriedade da noite para o dia, souberam se aproveitar e criaram uma imagem de ótimos jogadores, mesmo tendo pouquíssimos triunfos e muitos problemas durante a carreira. d'alessandro surgiu muito jovem no river e foi considerado mais um daqueles tidos como "sucessores de maradona na seleção argentina". ficou famoso entre os torcedores do corinthians por ter sido o principal algoz da eliminação da equipe paulista da copa libertadores de 2003. fracassou no wolfsburg e na seleção e, rapidamente, deixou de ser convocado. após uma passagem apagada pelo portsmouth, marcada por problemas de relacionamento, retornou à argentina, desta vez para jogar no san lorenzo, sendo o principal astro do time montado para ganhar a libertadores deste ano, que marca o centenário do clube. mais uma vez, fracassou. por 7 milhões de dólares, chega ao inter, com a responsabilidade de se tornar o principal jogador colorado. no mínimo, uma contratação de risco.
gustavo nery tem sua carreira marcada pela inconstância. tido como um jogador versátil e de grande preparo físico, em todos os clubes em que passou, ficou mais tempo contundido do que jogando. também foi considerado o pivô de muitos problemas de relacionamento e chegou a ser chamado de "laranja podre" pelo técnico nelsinho baptista, quando ambos trabalhavam no são paulo. sua carreira na europa também foi um fracasso, não se firmando em nenhum dos clubes pelos quais passou.
sem dúvida, com este pensamento, o inter está entrando no perigoso e arriscado território da ilusão. a ilusão da imagem.

terça-feira, 15 de julho de 2008

o negro no futebol globalizado

mario filho, saudoso cronista esportivo, irmão de nelson rodrigues, em sua obra-prima sobre o futebol brasileiro "o negro no futebol brasileiro", associa brilhantemente a figura do negro, oprimido e pobre, como principal responsável pela construção da identidade do futebol brasileiro, no começo tido como um esporte da elite branca nacional, formada por estudantes universitários e, posteriormente, através da inserção do negro, consagrado como principal esporte nacional. cabe aqui ressaltar o pioneirismo do vasco da gama, primeiro clube de futebol a aceitar negros no seu quadro de atletas. o vasco, na época, era o clube menos elitizado do rio de janeiro, o time da colônia portuguesa e dos operários e trabalhadores informais.
vascaíno quando criança, pelé foi o maior jogador da história do futebol, marcou quase 1.300 gols e foi eleito por inúmeras vezes o atleta do século XX. consagrou-se no santos e no fim da carreira foi jogar nos estados unidos para ganhar dinheiro. e conseguiu ganhar muito dinheiro. pelé foi tão brilhante como atleta quanto como produto do capitalismo, tornando-se um excelente garoto-propaganda e ganhando milhões pelo mundo até os dias de hoje. de origem humilde, negro e pobre, pelé é exaltado como alguém que "venceu na vida", que "deu certo". de fato, diante da lógica capitalista, ele realmente venceu, porém se procurarmos enxergar o outro lado desta valiosa moeda, pelé é alguém que perdeu sua identidade, e pior, com a visibilidade que adquiriu através da fama, nada fez pela "causa negra" no futebol, a mesma causa do jovem de origem pobre (que, na maioria das vezes, é afro descendente), que continua sendo explorado e tendo sua personalidade violentada e moldada de forma a atender plenamente às exigências capitalistas. muito pelo contrário, pelé é peça fundamental para a manutenção deste processo, sendo um dos maiores "queridinhos" da riquíssima fifa, órgão máximo do futebol, e também de exploração dos majoritariamente pobres atletas profissionais.
nas últimas semanas, li muitos cronistas esportivos criticando fortemente ronaldinho gaúcho e robinho, que estão forçando suas saídas de barcelona e real madri para milan e chelsea, respectivamente. eu vejo de outra forma. negros e de origem humilde, ambos gostavam de jogar bola na rua quando crianças e decidiram "tentar a vida" no futebol profissional. conseguiram e, dentro do contexto globalizado, adquiriram fortuna e status de ídolo da noite para o dia. não se pode cobrar destes dois meninos que eles tenham mentalidade de administrador de empresas, que sejam profissionais exemplares, e mais, que, sem muita instrução adequada, não se sintam acima do bem e do mal, diante de tanto dinheiro e fama. eles são mais dois negros explorados pelo capitalismo; pela elite branca de empresários que é quem mais lucra com o futebol profissional. também não são vítimas, são apenas produtos do futebol globalizado.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

aos números

aproximadamente 1/4 da "população futebolísticamente ativa" brasileira torce para flamengo ou corinthians. toda essa gente está em festa.
após 9 rodadas, o flamengo, que há 16 anos não conquista o campeonato brasileiro, é líder com cômodos 5 pontos de vantagem para os vice-líderes cruzeiro, grêmio, vitória e palmeiras. além disso, vem jogando bem e tem o artilheiro do campeonato, marcinho, que tem os mesmos 6 gols de alex mineiro do palmeiras. faltando 29 rodadas par o término do campeonato, ainda é cedo para arriscar qualquer palpite, mas é inegável que a equipe da gávea é uma das favoritas para levar o título, o que seria o sexto de sua história, e que consagraria o flamengo como maior campeão do campeonato brasileiro desde que passou a ser denominado desta maneira, em 1971.
já o corinthians, após as mesmas 9 rodadas, lidera a série b, com os mesmos 5 pontos de vantagem do flamengo. com um futebol visivelmente muito superior ao dos demais participantes, o corinthians vem mostrando que vai subir facilmente à série a e, salvo aconteça alguma tragédia, será campeão da série b do campeonato brasileiro pela primeira vez em sua história.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

o futebol bonito

tradicionalmente, algumas equipes do futebol mundial jogam feio e outras, bonito. diante de conceitos tão subjetivos, cabe aqui esclarecer que estas definições, em primeiro lugar são absolutamente egoístas porém, em segundo lugar devem ser entendidas através do senso comum futebolístico brasileiro, isto é, com os olhos de quem se acostumou a ver o futebol-arte dos deuses do gramado.
pois bem, a espanha foi campeã européia. diante da alemanha, no quintal alemão, jogando bonito, com niño torres, fábregas, casillas no gol, o cão-de-guarda brasileiro marcos senna e tudo mais. a alemanha, o futebol feio mais famoso e vitorioso de todos os tempos sucumbiu diante do flamenco do esquadrão espanhol que, mesmo sob o comando de um técnico antiquado e atrasado como luis aragonés, dominou a partida do primeiro ao último minuto e venceu por 1 a 0. incontestável, 1 a 0 para o futebol bonito.
ontem no maracanã, tudo muito bonito. a torcida, a festa, o próprio maracanã e dois times de futebol muito ofensivo, muito interessante, muito empolgante, muito bonito. na beleza, empate, e no resultado somado, também. resultado: disputa por pênaltis. e quem fez bonito foi a ldu, que calou renato gaúcho, calou o maracanã e levantou o troféu mais desejado da américa do sul.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

o futebol e a rede

futebol e rede há muito tempo têm fortes laços de união. muito se ouve dizer que futebol é "bola na rede", que o atacante "balançou a rede" do adversário e outras coisas do tipo. porém, pelo menos a partir do início dos anos 80, com a revolução da informação, a globalização de tudo, inclusive da cultura ou, se preferir, a imposição da cultura imperialista guela abaixo, o futebol passou a depender de redes. de redes de televisão.
a maior parte dos clubes de futebol profissional dos principais campeonatos do mundo depende quase que exclusivamente dos patrocínios pagos pelas redes de televisão. em troca, acabam se sujeitando a aceitar tabelas por elas impostas, a remanejar datas de jogos para transmissão televisiva e a aceitar passivamente demonstrações claras de desrespeito à liberdade de escolha do torcedor.
na última quarta-feira, ontem, a rede, em todos os sentidos, foi a protagonista do recheado dia de futebol. pela tarde, alemanha e turquia fizeram a primeira semifinal da eurocopa 2008. num jogo eletrizante, os alemães balançaram a rede turca por 3 vezes, contra 2 dos turcos. pena que, graças a uma falta de estrutura ímpar para os padrões europeus, em todas as partes do mundo, todos os que estavam assistindo o jogo ao vivo pela televisão, tiveram o desprazer de serem impedidos de ver praticamente metade do jogo, inclusive perdendo 2 gols da partida, um de cada equipe. a rede de televisão responsável pela transmissão da euro não resistiu a uma tempestade de verão, típica da época, que derrubou o sinal e cegou os entusiasmados telespectadores por várias vezes durante o duelo.
mais tarde, outra bola fora. desta vez da rede globo, dona do futebol brasileiro, para não dizer do brasil, que privou os telespectadores paulistas de assistir o festival de bola na rede acontecido em quito, no equador, pelo primeiro jogo da final da libertadores: ldu 4 x 2 fluminense, que agora, no jogo de volta no maracanã, terá de balançar a rede da equipe equatoriana 3 vezes, sem deixar que balancem a sua, para levantar o caneco sulamericano pela primeira vez na sua história, sem necessidade de prorrogação nem pênaltis. a rede globo acabou transmitindo para são paulo, no mesmo horário, o monótono empate em 1 a 1 do corinthians contra o bragantino válido pelo, não menos sem graça, campeonato brasileiro da série b.
hoje quem balançou bastante a rede foi a espanha, 3 a 0 na rússia pela outra semifinal do campeonato europeu de seleções. desta vez, pelo menos, sem tempestades. domingo tem alemanha e espanha disputando o título. é sinal de muita bola na rede ou maior chance de queda de sinal por falha da rede? veremos.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

grande berry!

há cerca de um mês, comprei o ingresso para o show do chuck berry, a lenda viva do rock'n'roll. por nada eu perderia essa chance de ver o homem ao vivo, nem por um brasil e argentina. pois assim foi. semana passada me dei conta que o dia 18 de junho, além de aniversário de 66 anos de paul mccartney, seria a data do jogo brasil x argentina no mineirão. mas e daí, que brasileiro se importa com a seleção nos dias de hoje? não fosse o ufanismo exacerbado de galvão bueno e a globo, pouca gente daria alguma importância para esse jogo, um brasil x argentina com cara de amistoso, nada mais que isso. mas, por quê?
os motivos são vários, porém o maior deles é a falta de identificação dessa seleção com o povo brasileiro e a significativa falta de compromisso de boa parte dos jogadores para com esta sagrada camisa. fora isso, um técnico que é símbolo de anti-futebol, um pau-mandado da cbf que, por sua vez, não representa a seleção do povo brasileiro, longe disso, vendeu a comercialização dos jogos brasileiros para uma empresa de eventos estrageira, como se a nossa seleção fosse um produto, vendendo assim também os nossos sentimentos.
o resultado de toda essa história não poderia ser diferente: uma seleção apática, jogadores sem vontade, sem gana, sem raça, um técnico sem experiência, sem qualidade e sem nenhum, absolutamente sem nenhum carisma, característica fundamental para um técnico de seleção brasileira.
comecei então a gargalhar do fato de o show ter sido no dia do jogo. passei uma noite agradável ao lado dos meus amigos-irmãos, ao som de chuck berry, ao vivo (!), e ainda tive o prazer de não assistir a um aparentemente muito tedioso brasil 0x0 argentina. grande berry!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

ratzel e o sport recife

o sport recife é o mais novo campeão da copa do brasil. eliminando favoritos, todas as vezes fazendo o resultado em casa, a equipe pernambucana venceu ontem o corinthians na final e faturou o caneco. mas qual será a receita do sucesso do leão do norte?
com um time muito experiente, cheio de "refugos" de vários grandes clubes do brasil, como daniel, agora daniel paulista (ex-corinthians), sandro goiano (um puro-sangue ex-grêmio), romerito (ex-corinthians), leandro machado (ex-internacional), enílton (ex-palmeiras), roger (ex- são paulo e palmeiras) e principalmente carlinhos bala, que passou pelo cruzeiro mas voltou a pernambuco, comandados pelo, não menos refugo, técnico nelsinho baptista (ex-quase todas as equipes do brasil e do japão), o sport trucidou todos os adversários na ilha do retiro, vencendo a copa e conseguindo assim, também, uma vaga na libertadores do ano que vem.
se para friedrich ratzel, geógrafo determinista alemão, território significava poder, para a equipe do sport, campeã da copa do brasil 2008, com méritos, não foi diferente. porém, o predomínio do fator campo para a equipe pernambucana se traduziu, não só através do apoio de sua fanática torcida, como também como um elemento de intimidação, se valendo de atitudes escusas como não permitir que o time adversário se aquecesse no gramado e não ceder a carga de ingressos adequada à torcida do time visitante. fora tudo isso, o fator campo para o sport foi ainda mais decisivo em outro sentido, muito mais inusitado e pouco abordado pela mídia até aqui. como ainda ninguém se perguntou como jogadores de tão baixo nível técnico como os do sport, comandados por um técnico tido como ultrapassado como nelsinho baptista, conseguiu resultados tão expressivos diante de times como inter, palmeiras e até corinthians, todos com elencos e comissões técnicas de níveis superiores aos seus? para mim, uma coisa ficou clara: o fator campo em sua concepção mais crua, o campo de jogo, propriamente dito, o gramado que, na ilha do retiro, mas se assemelha a um pasto ou a uma plantação de batatas, lugar em que o sport treina todos os dias, conhece todos os buracos e imperfeições, já se acostumou com os "quiques" inesperados de cada passe ou chute e sabe exatamente a velocidade que deve ser imposta à bola para cada tipo de jogada. quem disse que o fator campo (ou território) não ganha jogo, acertou, pois ele ganha muito mais do que isso; ganha título.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

fandango rio-são paulo

o fandango é uma dança de origem ibérica, datada do período barroco, praticada aos pares, aos sons da viola, da castanhola e do sapateado. no brasil, "fandango" designa um bailão tipicamente gaúcho, da população rural dos pampas, uma festa que reúne homens e mulheres, de todas as idades, numa grande confraternização em torno da dança, praticada através de uma grande roda em que as "damas" acompanham os passos dos cavalheiros, que têm liberdade para improvisar, a fim de impressionar suas respectivas damas, tudo isso ao som da viola e do acordeão.
pois, ontem o futebol foi um grande fandango.
em são paulo, o corinthians do gaúcho mano menezes, tirou o sport para dançar e chegou a estar vencendo por 3 a 0 (gols de dentinho, herrera e acosta) até o último minuto de jogo, quando tomou um gol estilo "água no chopp" de enílton, decretando o placar final de 3 a 1. no jogo de volta, para dançar o frevo, o sport terá de vencer por 2 a 0 ou, se tomar gol, por 3 ou mais gols de diferença, caso contrário, terá de assistir o gaúcho william, zagueiro, xerife e capitão do corinthians, dançar o fandango com o caneco na mão, na ilha do retiro.
na cidade maravilhosa, o jogo de volta da final antecipada da libertadores entre fluminense e boca juniors começou ao tom do tango, com o gol de palermo, de cabeça, pra variar, abrindo o placar no maior do mundo. porém, empurrado por 85 mil tricolores e comandado por renato gaúcho, um gaúcho-carioca, mas nem por isso menos gaúcho, deu-se ínicio ao fandango que começou com o gol de falta de washington coração-de-leão, passou pelo gol de conca, com a ajuda da atordoada zaga xeneize e terminou em grande estilo com o gol de dodô, o artilheiro dos gols bonitos. um baile tricolor, que agora enfrenta a zebrassa ldu, do equador, tendo ainda a vantagem de jogar a finalíssima no maracanã. como a própria torcida diz, "o show tem que continuar".