terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

a bola pós-moderna.

muitos se referem ao futebol de hoje como "moderno", quando deveriam se referir como pós-moderno. a influência da pós-modernidade se dá em todos os tipos de manifestações culturais ocidentais contemporâneas, e é implacável.
o futebol, de forma geral, sofreu grande influência desta lógica cultural capitalista. principalmente a partir da década de 1980, com a consolidação da cultura globalizada, através da grande dinamização dos meios de comunicação, também cresceu muito o intercâmbio cultural futebolístico, porém direcionado, fundamentalmente, para o aperfeiçoamento de uma filosofia essencialmente voltada para o chamado "futebol de resultado", não só em campo, mas principalmente fora dele. a lógica é simples: um time para ser lucrativo, tem de ser vencedor. dessa forma, mesmo que jogue feio, tem de ganhar a qualquer custo, para que, assim, construa uma imagem de equipe vencedora e seja um bom produto.
não precisa nem dizer que as consequências desta mutação da mentalidade do futebol profissional trouxe quase que uma totalidade de aspectos negativos. o futebol deixou de ser alegre na maior parte do tempo, se tornou um esporte muito mais atrelado à força física do que a técnica e, apesar do advindo dos televisores coloridos, caminhou na contramão e se tornou cinza, sem graça. para não dizer vermelho, de sangue.
a competitividade exacerbada, traço forte da pós-modernidade, não só ofuscou o brilho do futebol em campo, como também refletiu nas torcidas. surgiram as torcidas organizadas que, em sua essência, têm um propósito muito interessante. um grupo reunido de pessoas apaixonadas pelo mesmo time (e, no brasil, por samba, na maioria das vezes), que organiza festas e vai aos estádios para dar apoio e empurrar a sua equipe. porém, o espírito de vida pós-moderno busca a competição entre os homens, para assim distinguir os "fracos" dos "fortes", custe o que custar; é a lei da selva. daí, de forma sucinta e simplista, porém elucidativa, evidenciam-se os reflexos da pós-modernidade no campo e nas arquibancadas. verdadeiras selvas, pessoas se comportando como animais selvagens e atacando em bando. nada mais apropriado para o futebol do capitalismo selvagem.
é claro que, no brasil, as consequências tendem a ser devastadoras. soma-se tudo isso a sérios problemas sociais, como a pobreza, a desigualdade em todas as suas faces, a injustiça, a ausência do poder público, etc. mas, voltando-se especificamente para os gramados, o que se vê é uma infinidade de equipes extremamente defensivas, futebol de pouco brilho, um exército de jogadores medíocres, até porque os talentosos acabam se transferindo, em sua maioria, para a europa já na adolescência, e um jogo demasiadamente viril, beirando a violência.
um bom exemplo de tudo isso foi o clássico majestoso, como é chamado, do último domingo. corinthians e são paulo desfilaram esquemas táticos retrancados, jogadores comuns e lances de volência gratuita. somente quando se viu um pouco de talento, com as entradas de hernanes, pelo time tricolor, e do jovem boquita, pelo corinthians, saíram os gols do disputado (no mal sentido) empate por 1 a 1. nas arquibancadas, violência. quebra-quebra na torcida do corinthians, revoltada com a imbecil decisão da diretoria do são paulo de destinar aos corinthianos somente 10% dos ingressos colocados à venda. decisão esta que foi amplificada de forma não menos imbecil pela sombria diretoria corinthiana que, no dia anterior ao jogo, declarou guerra contra o são paulo, anunciando que não mais alugaria o morumbi para disputar seus jogos e que, quando fosse mandante, daria o mesmo tratamento ao são paulo. na guerra dos cartolas, quem sofre de fato é o povo. em resumo, gaviões versus polícia militar e muitos feridos.
e o que se vê no horizonte é desanimador.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

ronaldo II

Viotto Caricaturas - http://viottoo.blogspot.com



a imensa torcida corinthiana, da qual tenho muito orgulho de fazer parte, teve um grande presente de natal. para alguns maldosos, um natal gordo. ronaldo fenômeno, maior artilheiro da história da copa do mundo, é do timão. independentemente de não jogar bem há muito tempo, de estar fora de forma, de ser flamenguista declarado e de, para muitos, já estar acabado para o futebol profissional, ronaldo é um ícone do futebol mundial e não pode ser desprezado. já deu a volta por cima em 2002, ganhando a copa do mundo como melhor jogador (menos para a fifa), e tem todas as condições de realizar feito semelhante este ano. vale a pena esperar.
todavia, o nome "ronaldo" já é sagrado no timão há duas décadas. todo corinthiano que já antigiu a idade adulta, quando pensa em ronaldo, a primeira figura que vem à cabeça é a de ronaldo soares giovanelli, goleiro que foi titular do corinthians de 1988 a 1998, jogando mais de 500 partidas. ronaldo, para muitos, foi o maior goleiro da história do corinthians e é corinthianíssimo declarado. hoje comentarista de futebol de uma emissora de televisão, faz questão de torcer abertamente para o corinthians, sempre que é dada alguma oportunidade de fazê-lo.
ronaldo era um goleiro com estilo. se agigantava em decisões, porém muitas vezes tinha atuações pífias em jogos sem importância. dono de personalidade forte, de atitude tão explosiva que beira a insanidade, ronaldo era respeitado por todos os que se atreviam a jogar no "seu" corinthians. tinha voz ativa na equipe e fazia questão de cobrar, acima de tudo, muita raça dentro de campo. raça que jamais faltou a ronaldo, tanto nos jogos, quanto nos treinos. ronaldo também gostava de desenhar as suas camisas. tinha um gosto muito duvidoso, porém se destacava em campo. cores berrantes e o número 1 às costas em algarismo romano, o famoso I, sua marca registrada. também foi um dos primeiros a autografar a camisa. ronaldo era um goleiro de defesas de grande plasticidade, adorava dar pulos desnecessários para sair bonito na foto. ronaldo também é rock'n'roll. quando ainda jogava no corinthians em 1997, gravou um disco com a banda "ronaldo e os impedidos" e, posteriormente, outro cd com a banda "ronaldo e os fora da lei". grande ronaldo!
ronaldo ganhou, pelo corinthians, os títulos paulistas de 1988, 1995 e 1997, a copa do brasil de 1995 e o brasileirão de 1990, seu título mais importante, e do qual foi peça decisiva ao lado de neto, o eterno xodó da fiel. infelizmente, no início de 1998, o corinthians contratou vanderlei luxemburgo como técnico que, por via de regra, sempre costuma mandar embora os jogadores famosos de seu elenco, para que estes não apareçam mais do que ele, e para que não tenham grande influência em seu grupo de comandados. e assim foi, luxemburgo dispensou ronaldo do corinthians. uma grande perda.
quanto a ronaldo fenômeno, torço para que faça grande sucesso no corinthians, que seja um grande artilheiro e que ganhe muitos títulos. porém, por mais que seja ídolo do futebol brasileiro, por mais que venha a ser bem sucedido no corinthians, para a enorme torcida corinthiana, jamais será maior que o grande goleiro ronaldo. será, na melhor das hipóteses, um segundo ronaldo ou, simplesmente, ronaldo II. sem dúvida, uma grande honra.

sábado, 6 de dezembro de 2008

nós, cardíacos.

nós, cardíacos, somos doentes só pelo nosso time, ainda bem.
cada um à sua maneira, na presença ou na ausência, agregados pela mesma camisa.
nós, cardíacos, temos a mania de perder e persistir; e perstistir tanto até ganhar. nós não temos lá muita técnica, mas temos raça. e que raça!
raça como a de lucas, nosso goleiro, que ao melhor estilo goycochea 'tapa penales', fez as ovelhas virarem carneirinhos nas suas mãos. e levou nós, cardíacos, ao g-8.
nós também temos técnica. técnica indiscutível como a de nosso camisa 10 (que, por humildade, usa a 20), fuji, que quando decide abrir a chapelaria, ninguém segura, é chapéu pra todo lado. fora as canetas, lançamentos, deslocamentos, chutes, roubadas de bola, e por aí vai.
nós, cardíacos, temos também thiagão, o bombeiro. mas pra botar fogo no jogo, com sua força, visão de jogo e passes precisos. melhor ainda, um verdadeiro corinthiano. mas isso é outra história.
nós, cardíacos, temos um judoca. grande demétrius! um verdadeiro lutador em quadra, com grande espírito de equipe e incansável na marcação. este ano, premiado como autor do único gol (não-contra) da heróica campanha cardíaca. aliás, um golaço.
nós temos giba, líbero no vôlei e guerreiro na quadra de futsal, adrenalina e muita velocidade.
temos velho, racional acima de tudo, porém exemplarmente esforçado. com o velho, vontade nunca falta. paixão pura.
temos barba, nosso representante do oriente médio, com seu bombardeio incansável à trave adversária. sem dúvida, de grande valor para a equipe.
nós, cardíacos, temos linus. nipo-caiçara, veio das praias de santos para dar alma argentina ao time. catimba, divididas duras e discussões. linus nos fortalece frente aos oponentes e à arbitragem.
nós temos piau, fixo e relações públicas do elenco. grande contador de histórias, usa caneleiras e shorts pra dentro. é isso aí piau, estilo é tudo, estamos com você!
nós, cardíacos, temos cascão, o intelectual do time. entre um cigarro e outro e alguns atrasos, cascão (joão para os íntimos) é o nosso canhoto, grande sociólogo em quadra. deleuze teria orgulho de vê-lo jogar.
nós temos ishi. grande geoprocessador, é calma e serenidade. e, acima de tudo, corinthiano!
temos também marcelo, nosso fotógrafo oficial. vouyeurismo e indiscrição.
temos, embora ausentes do elenco deste ano, porém co-fundadores do time, lagoinha, da turma do amendoim, e fabricius, o político-cardíaco.
como torcedores, nós, cardíacos, temos ninguém menos que os irmãos (quase) gêmeos kk e júnior do multi-estrelado e campeoníssimo time do macd.
nós também temos eu, sanches. o camisa 9 mais ausente da história do futsal e mal-aventurado treinador, porém possuidor da qualidade mais importante para um cardíaco: alma de cardíaco. mesmo a distância, sempre mantendo o estilo de vida cardíaco e mandando boas vibrações para a equipe.
nós, cardíacos, temos o direito e devemos comemorar a campanha deste ano. mas, com os pés no chão, sempre vislumbrando vôos mais altos. porém, jamais deixando de lado o espírito cardíaco. o de jogar para se diverir entre amigos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

a verdadeira história do campeonato brasileiro.

até o final da década de 1950, não havia qualquer tipo de campeonato nacional de futebol no brasil. pelo menos entre clubes. havia um campeonato nacional de seleções estaduais, porém as disputas interclubes se davam em âmbito estadual. o que mais se assemelhava a um campeonato nacional era o troneio rio-são paulo que, por definição, nada mais era do que uma disputa entre clubes dos dois estados. nem de longe poderia ser considerado um campeonato nacional.
em 1959, foi criada pela cbd (hoje cbf) a taça brasil, que era disputada em forma de copa e tinha como objetivo indicar os clubes brasileiros que iriam disputar a recém criada taça libertadores da américa. a competição reunia clubes das regiões sul, sudeste e nordeste. pode-se dizer que foi o embrião do campeonato brasileiro, até porque, na época, não havia outro campeonato nacional interclubes. a taça brasil foi, portanto, por quase uma década, o nosso campeonato brasileiro e, por mais que a cbf, mesmo tendo sido a criadora do torneio à época, não reconheça, está escrito na história e há de ser respeitado. a taça brasil foi disputada até 1968, quando foi extinta.
a partir de 1967, passou a ser realizado o torneio roberto gomes pedrosa, o popular robertão. este sim, em formato de liga, sem finais, porém disputado em quadrangulares, se assemelhava muito mais ao que conhecemos como campeonato brasileiro nos dias de hoje. de fato, foi o pontapé inicial para a criação do campeonato brasileiro em 1971, até porque foi disputado somente até 1970. durante os anos de 1967 e 1968, portanto, podemos dizer que tivemos um aperitivo da disputa concomitante de 2 campeonatos nacionais. digo 'um aperitivo', porque desde 1989 temos, anualmente, a copa do brasil e o campeonato brasileiro como os legítimos torneios nacionais de futebol.
mas você deve estar se perguntando, 'por que esse cara está falando tudo isso?' a resposta é a seguinte.
por conta da atual iminência da conquista do tricampeonato brasileiro pelo são paulo (lembrando que é tri quem conquista 3 títulos de forma consecutiva), desde o último domingo, vem sendo veiculada, em muitos meios de comunicação, a informação de que o são paulo se tornará o maior campeão brasileiro de todos os tempos, com 6 conquistas, e que será o primeiro clube a ser campeão por 3 vezes consecutivas. tudo isso é uma grande bobagem.
o são paulo, sem dúvida, é o clube de futebol profissional mais vitorioso do brasil nos últimos 20 anos. é também o que tem a melhor estrutura, o melhor centro de treinamento, o maior estádio particular. é, de fato, o clube mais organizado de todos. ostenta também o título de torcida que mais cresce ultimamente, passando de sétima maior do brasil em meados dos anos 70, para terceira maior atualmente. tudo isso é verdade. mas maior campeão brasileiro de todos os tempos ainda não é, e não conseguirá atingir este feito ainda este ano.
cabe agora fazer alguns esclarecimentos. o campeoanto brasileiro de futebol, com esta denominação oficial, iniciou-se em 1971. porém, durante muito tempo não teve fórmula de disputa determinada, divisões inferiores devidamente organizadas e número de participantes definidos. em plena ditadura militar, algumas das edições chegaram a ter quase 100 times, o que claramente demonstra que a simples criação do brasileirão, até se estabelecer regras definidas de disputa em 2003, em nada possuía credibilidade maior do que os já citados torneio roberto gomes pedrosa e taça brasil. então por que não considerá-los?
tudo leva a crer que trata-se de uma convergência de interesses da própria cbf, que desde 1971 passou a organizar o torneio de forma soberana, sem a interferência das federações estaduais, como acontecia anteriormente, e da detentora dos direitos de transmissão televisiva desde então, a tv globo. quase que de forma automática, como costuma acontecer no inconsciente do povão, 'o que não aparece na globo, não é verdade', e o que aparece, passa a ser verdade absoluta, de forma que, num processo de verdadeira lavagem cerebral, fixou-se a idéia no torcedor comum de que 'campeonato brasileiro, só a partir de 1971' e assim acabou sendo. pouca gente passou a discutir o assunto.
mas e o santos de pelé, nunca foi campeão brasileiro? para a cbf e a globo, não. a história mostra que sim.
adotando a linha mais coerente com a atual configuração de disputa, consideremos como campeonato brasileiro de futebol a taça brasil de 1959 a 1966 e o robertão de 1967 a 1970. desta forma, temos como maior campeão brasileiro o santos, com 8 títulos, sendo 5 de forma consecutiva, conquistados na 'era pelé' (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965) e três de forma alternada (1968, 2002 e 2004). o segundo maior campeão seria o palmeiras, com 7 conquistas (1960, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993 e 1994). o são paulo, se realmente vier a confirmar o título deste ano, se tornará o terceiro maior campeão brasileiro da história, com 6 triunfos (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008). inegavelmente, um grande feito, porém ainda relativamente longe de ser algo inédito.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

o goleiro: razão e emoção.

no futebol, ser goleiro é vocação; é como ser médico. o goleiro é masoquista por definição. raramente marca gol, leva gol quase todo jogo e está sempre na corda bamba. o goleiro pode fazer um jogo espetacular, se tomar um frango no fim, vira vilão. o goleiro é maldito, ele está lá só para evitar gols, para prolongar o sofrimento de muitos e apenas adiar a decepção de outros. no inconsciente do apaixonado por futebol, o goleiro é a personificação do anti-clímax.
quando criança, eu fui goleiro. de futebol de salão, é verdade, pois a minha estatura não permitiria ousadia maior. nem era tão grosso na linha, mas decidi ser goleiro só por causa de um ídolo. o goleiro do corinthians: ronaldo. ronaldo soares giovanelli, um metro e oitenta e sete, uniformes extravagntes, a maioria de péssimo gosto, capitão e camisa 1 do corinthians por quase uma década. ronaldo é corinthiano. era o autêntico corinthiano no campo de jogo, nervos à flor da pele durante os 90 minutos. briguento, polêmico. grande goleiro, porém especialmente espalhafatoso, capaz de defesas plasticamente espetaculares e falhas ridículas. o maior goleiro que já vi jogar no corinthians, porém muito mal sucedido em sua passagem pela seleção brasileira. um frango contra a alemanha e nunca mais.
a seleção brasileira não tinha (e quase nunca teve) espaço para goleiros muito "emocionais". desde que acompanho futebol, goleiro de seleção brasileira tem que ser frio. quase um alemão ou escandinavo.
comecemos pelo exemplo de taffarel, o goleiro da seleção brasileira durante nada menos do que 10 anos. parecia um cubo de gelo embaixo das traves, nada o abalava. nem os frangos que tomava, levantava como se nada tivesse acontecido. tecnicamente bom, mas acima de tudo muito equilibrado, muito racional. um dos heróis do tetra.
seu reserva era zetti. esse mais frio ainda. tinha dias que zetti simplesmente não levava gol. podia acontecer o diabo, o time adversário podia ser o que fosse, zetti pegava todas, fechava o gol. sempre de calça e meias por cima das barras, zetti era um monge. sempre muito calmo, ponderado, concentrado. tecnicamente o mais completo que já vi, mas de pouca vibração. ídolo do são paulo e do santos, porém sempre reserva da seleção. uma pena.
o sucessor imediato da era taffarel-zetti foi dida. um grande goleiro, literalmente. muito alto, de envergadura fora do normal, dida não tem expressão. sua atitude beira à sonolência porém, muito concentrado, é exímio pegador de pênaltis. que o diga raí, que em sua última passagem pelo são paulo jogou por água abaixo a classificação do tricolor às semifinais do campeonato brasileiro de 1999. logo contra o corinthians, de dida, que defendeu os dois pênaltis cobrados pelo eterno camisa 10 do morumbi e garantiu a vaga do timão. mas dida também não deu muita sorte na seleção. na copa em que jogou como titular, em 2006, o brasil perdeu feio para a frança. e, cá entre nós, dida não teve culpa, mas já estava longe de sua melhor forma.
dida estava vivendo sua mais brilhante fase às vésperas da copa de 2002. mas a seleção tinha felipão como técnico e felipão confiava mesmo era em marcos. grande marcos. além de tudo um sujeito gente fina. acabou com o corinthians em duas libertadores seguidas (1999 e 2000), mas mesmo assim todo corinthiano adora esse cara. marcos é uma excessão na seleção, é estilo ronaldo; emocional, polêmico, sangue quente, porém sem ser briguento. verdadeiramente palmeirense. marcos conquistou o brasil na copa de 2002, com o penta. era figura importantíssima da família felipão e fez um torneio irretocável. que oliver kahn que nada, o goleiro da copa foi o marcão!
contudo, no último fim-de-semana marcão vacilou. falhou em jogo chave do palmeiras na briga pelo brasileirão e partiu desesperadamente para o ataque em busca do empate, numa tentativa desequilibrada e inapropriada para um capitão de time grande. não deu certo, mas a torcida gostou.
se existe algum jogador no futebol brasileiro que é amado por sua torcida, este atende pelo nome de rogério ceni. rogério é o espelho do sãopaulino. culto, líder, goleiro do time. um cara sério, ponderado, equilibrado, um atleta exemplar. nunca faltou a um treino, nem sequer atrasou. incansável nos treinamentos e principalmente nos jogos. é a alma do são paulo. além de tudo cobra faltas e pênaltis e faz muitos gols. é o perfeito sucessor de zetti, segundo a maioria dos tricolores, até melhorado. em minha modesta opinião, tecnicamente zetti foi muito melhor, mas como ídolo, até por sinal de nossos tempos, rogério é maior. muitas vezes arrogante, é verdade, mas sempre em defesa do são paulo. na seleção, principalmente por sua arrogância, não foi bem. frangou, não admitiu, saiu. os sãopaulinos não se conformam até hoje. também, pudera, rogério é o jogador mais vitorioso da história do são paulo e está prestes a ser campeão brasileiro mais uma vez, a terceira consecutiva. tomara que não, mas vamos ver.
falando em campeão, atualmente, o corinthians tem felipe. baiano arretado, explosivo, muito elástico. jovem ainda, porém já um lider. felipe caiu com o corinthians, mas subiu e foi campeão da série b. foi para os braços da fiel no pacaembu. se irá para seleção, só o tempo dirá, mas uma coisa ninguém pode discutir: felipe é corinthians!
o goleiro talvez seja o jogador mais sacrificado numa equipe de futebol, mas também por isso, acaba se tornando o mais passível de admiração, idolatria. é, ao mesmo tempo, o principal ator emocional e racional do jogo. um verdadeiro protagonista da arte do futebol.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

sobre este brasileirão.

o campeonato brasileiro da série "a" deste ano, o popular brasileirão, vem sendo um tapa na cara dos que eram contra a fórmula de disputa por pontos corridos. diferentemente do que muitos já falaram, apesar do atual baixo nível técnico de nossas equipes, o brasileirão se encaminha, este ano, para uma disputa ponto a ponto até a última rodada. e essa disputa tem nomes: grêmio, cruzeiro, palmeiras, são paulo e flamengo.
o grêmio é o time mais regular do campeonato até o momento. apresentando um futebol competitivo e feio, a esquadra gaúcha obtém vitórias magras, empates valiosos e perde pouco. por isso ainda é líder, mesmo contando com jogadores desconhecidos e alguns refugos de vários times do passado, além de ter como comandante o inexpressivo celso roth. pela frente, uma tabela que apresenta apenas um grande desafio aparente: o palmeiras no palestra itália. boas chances para o tricolor dos pampas.
o cruzeiro parece ter a tabela mais tranqüila entre os postulantes ao título mais desejado do futebol nacional. como um autêntico mineiro, vem comendo pelas beiradas, com uma equipe jovem e cheia de promessas, porém bastante inexperiente, capaz de golear e fazer jogos espetaculares e em seguida perder em casa sem jogar nada. o técnico também é inexperiente, adilson batista. talvez um time para o ano que vem, mas quem sabe?
o palmeiras é o favorito. marcos, roque júnior, pierre, diego souza, alex mineiro, denilson para o segundo tempo e o principal: luxemburgo no banco. o técnico maior vencedor de campeonatos brasileiros de todos os tempos está mordido por ter perdido as duas últimas edições para muricy ramalho e quer o caneco. um bom exemplo dessa gana foi o nó tático no segundo tempo do choque-rei do último domingo. uma verdadeira demostração de força do alvi-verde.
já o são paulo, é aquilo lá. todo mundo conhece como joga, ninguém gosta de ver, mas está sempre na parte de cima da tabela. mantendo a base, o são paulo este ano não conseguiu manter a regularidade apresentada nos dois últimos brasileirões mas, mesmo assim, pode ser considerado o segundo da fila. é aguardar pra ver.
já o flamengo... se não fosse o flamengo, eu nem citaria entre os favoritos. mas é o flamengo, então vou colocar, só por precaução. quem sabe o que é o flamengo, sabe o que eu estou falando.
quem vai ganhar? não sei, mas se soubesse não falaria. afinal, a graça não está em quem será o campeão e sim na disputa final. que vença o melhor!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

o futebol de salão.

o futebol de salão é genuinamente brasileiro. um esporte nacional. o esporte mais praticado no país, sem dúvida. o mais jogado nas insuficientes e mal equipadas escolas brasileiras. é o futebol de rua patenteado, transportado para uma quadra, com traves nos lugares dos chinelos, linhas demarcatórias, árbitros e toda essa chatice burocrática do oficial. o verdadeiro improviso do futsal, como passou a ser oficialmente chamado, veio do antigo futebol de salão que, por sua vez, tem suas raízes no futebol de rua. bola de meia, pés descalços, campo de jogo em declive para um time e em aclive pro outro. o futebol pueril, de meninos e algumas meninas, ricos e pobres, correndo atrás da bola por horas e horas. verdadeiramente democrático.
está acontecendo este mês, no brasil, a copa do mundo de futsal, evento que, desde que passou a ser organizado pela fifa, em 1989, teve 5 edições, sendo que as 3 primeiras foram vencidas pelo brasil e as duas últimas pela espanha. a final da copa deste ano não poderia ser mais apropriada para a atualidade do futsal profissional: brasil x espanha.
a edição deste ano da copa do mundo é um perfeito retrato do predomínio brasileiro no futsal mundial. apresenta uma seleção brasielira estrelada, com o melhor jogador da atualidade, o malabarista-ala falcão, que até já tentou desfilar seus dribles pelos gramados, procurando percorrer o caminho de tantos craques do futebol que surgiram no salão (o maior exemplo talvez tenha sido rivellino), jogando por palmeiras, são paulo e portuguesa, porém sem o mesmo brilho. além disso, conta com um enorme número de jogadores brasileiros naturalizados nas principais equipes da competição. a seleção italiana, por exemplo, chega ao extremo. somente o técnico e parte da comissão técnica nasceram na itália. todos os jogadores convocados nasceram em território brasileiro. as semifinais, realizadas hoje, tiveram todos os gols dos confrontos, menos um, marcados por jogadores nascidos em terras tupiniquins. o artilheiro russo, que tem o apelido de pula, é brasileiro. o seu gol na semifinal de hoje contra o brasil não foi suficiente para evitar a derrota por 4 a 2. na outra semifinal a espanha, com dois gols brasieliros e um gol-contra, também brasileiro, venceu a "brasileira" itália, na prorrogação, por 3 a 2. sinceramente, muito menos por conta de minha ligação familiar com a cultura espanhola do que por qualquer outra coisa, pouco estou me importando com esta copa do mundo.
o futebol de salão tem sua graça na prática, e não na observação ou na torcida. no meu caso particular, atualmente estou muito mais preocupado com a classificação de meu time da faculdade, o glorioso cardíacos de futebol (de salão) e regatas para a próxima fase da 9° copa fflch de futsal. zebra assumida e 24° colocado, de 32 participantes, na edição do ano passado, a equipe se recuperou da derrota por 8 a 0 na estréia e venceu, sábado passado, por 1 a 0. pelo que me disseram, uma vitória heróica, com defesa de pênalti e tudo mais. não pude estar presente, mas tomei conhecimento através dos que jogaram. agora, como diria o insuportável galvão bueno, é colocar a faca entre os dentes, o coração na ponta da chuteira, e vencer o último duelo da fase de grupos para se classificar. neste, com certeza, estarei presente, mesmo longe de minha melhor forma física, para incentivar e até dar alguns prazerosos chutes na bola e nas canelas adversárias. pois o futebol de salão nunca deixou e nunca vai deixar de ser o que sempre foi. a institucionalização do futebol de rua, porém sem perder a alma do futebol de improviso, o futebol moleque genuinamente brasileiro.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

o clássico vovô.

no último domingo, dia 28, foi disputado, pelo campeonato brasileiro, mais um clássico vovô. botafogo e fluminense escreveram mais uma página na história do clássico mais antigo do brasil. o empate em 1 a 1 foi ruim para ambas as equipes, porém teve sabor de vitória para o fluminense, que empatou no último lance do jogo, com um gol do zagueiro edcarlos, ex-são paulo. desta forma, o botafogo se distancia do título e da vaga para a copa libertadores da américa do ano que vem, e o fluminense passa a amargar a lanterna do brasileirão. mas o clássico já viveu dias muito mais charmosos.
fundado em 1902, o fluminense football club, foi o primeiro dos hoje reconhecidos como 4 grandes clubes do rio de janeiro (fluminense, botafogo, flamengo e vasco) a praticar o futebol. aliás, como o próprio nome diz, nasceu praticando o esporte, assim como o botafogo, que é de 1904, e diferentemente do flamengo que, fundado em 1895, começou como clube de regatas e somente mais tarde se rendeu à popularidade do futebol e começou a praticá-lo.
naquela época o futebol era um esporte de elite, praticado principalmente por imigrantes ingleses que, em sua maioria, haviam vindo ao brasil para trabalhar na construção de ferrovias ou na indústria têxtil. muito bem remunerados e de cultura refinada, naturalmente passaram a se relacionar com a elite carioca, fundamentalmente composta de descendentes de portugueses, quando não lusitanos de fato, abastados. com o passar dos anos, o futebol passou a ocupar, cada vez mais, o lugar do remo como principal esporte na preferência popular. e dentro deste processo, muito se deve ao clássico vovô.
o primeiro clássico vovô foi disputado em 22 de outubro de 1905. foi um amistoso, no ground do fluminense, e terminou 6 a 0 para os anfitriões. nos anos seguintes o confronto foi se repetindo e assim foi amadurecendo a rivalidade entre os dois clubes. em trecho de "o negro no futebol brasileiro", mario filho descreve a atmosfera pré-jogo de uma partida realizada no início da década de 1910:


"Nas ruas, um homem metido numa enorme bola de papelão, as pernas e cabeça de fora. Na bola, em letras grandes, o anúncio do jogo. 'Hoje, no ground do Fluminense, grande match de futebol, Fluminense e Botafogo. Hoje, todos ao ground do Fluminense."

assim o clássico cresceu e se tornou o clássico vovô. em 103 anos de rica história, o duelo decidiu 4 campeonatos cariocas, com o fluminense vencendo em 3 oportunidades (1946, 1971 e 1975) e o botafogo sagrando-se campeão, já com mané garrincha, em 1957.
nos últimos anos, fluminense e botafogo têm feito clássicos muito equilibrados, normalmente com poucos gols. também não decidem títulos de expressão há 23 anos. porém, nada pode diminuir a magia deste confronto centenário. a magia da tradição do mais antigo clássico do futebol brasileiro. o clássico vovô.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

futebol brasileiro em transe, já!

há pouco mais de 19 anos, a confederação brasileira de futebol é presidida e administrada pela mesma pessoa: ricardo teixeira. durante todo este tempo, a entidade lucrou muito, construiu uma nova e suntuosa sede, também no rio de janeiro (como todas as anteriores), vendeu os direitos de comercialização dos jogos da seleção brasileira para um grupo estrangeiro especializado em organização de eventos esportivos; tudo isso sob a máscara de uma administração vitoriosa, que se vangloria de ter sido responsável pela conquista de duas copas do mundo (1994 e 2002), como se o futebol brasileiro, alguma vez, tivesse precisado da cbf para conquistar algum título. muito pelo contrário. talvez, se tivesse sido gerido de outra forma, provavelmente teria conquistado muito mais.
o jogo de ontem, contra a bolívia, no engenhão, foi o espelho de todo este processo. a começar pelo local do jogo, um estádio lindíssimo, porém comprovadamente construído com superfaturamento para a realização dos jogos panamericanos do rio de janeiro, no ano passado. não podemos deixar de lado também, o preço dos ingressos. dos 45 mil que foram colocados à venda, 15 mil(!!!), isso mesmo, 15 mil foram disponibilizados para convidados e camarotes corporativos, aqueles espaços em que os fiéis representantes da elite branca podem tomar o seu champagne e posar para suas fotos em colunas sociais enquanto, de vez em quando, espiam o jogo ao fundo. aproximadamente 20 mil ingressos foram colocados à venda com preços de 100 ou 200 reais e apenas 10 mil foram destinados ao povão, com o módico preço de 30 reais. resultado: arquibancadas vazias e uma verdadeira luta de classes na platéia. de um lado, a elite do camarote, de outro, o povão da arquibancada. fenômeno semelhante ao que ocorria na década de 1910, em que havia uma divisão do espaço destinado aos espectadores nos estádios. nas aquibancadas os ricos, e na geral, os pobres, que eram obrigados a assistir o jogo em pé. neste aspecto, ao contrário do que tenta vender a cbf, com seu nefasto discurso de modernidade, o futebol brasileiro está 100 anos atrasado.
pois bem, vamos ao jogo. um jogo horroroso, uma seleção brasileira apática, sem brilho, sem criatividade, sem jogadas ensaiadas, uma orquestra de grandes músicos, porém sem maestro e totalmente desafinada. um time mal convocado, mal escalado e mal substituído, um verdadeiro desastre. as vaias foram inevitáveis, porém incomuns. foram vaias de vergonha, de desprezo, de ódio. um pouco escassas, é verdade. o pessoal do camarote não devia estar muito preocupado com isso.
vi o jogo e fui dormir com o mesmo sentimento dessa gente da arquibancada, da geral dos anos 10. de indignação. depois fiquei pensando o que poderia ser feito para reverter este quadro. somente demitir dunga, talvez não seja o caminho. deve-se promover um movimento de democratização da cbf. para o bem da seleção masculina, da feminina mais ainda e, principalmente, algo que sirva de exemplo para os clubes de futebol do brasil. que aconteça em todos eles processos similares aos que aconteceram em vasco e conrinthians, que depuseram seus ditadores recentemente. o corinthians ainda aprovou um estatuto que proíbe a reeleição, um grande passo. a cbf poderia seguir o mesmo caminho, mas por vontade própria, certamente não seguirá.
estou convencido de que apenas com uma verdadeira tragédia futebolística, algo poderá ser feito. baseado mais na fé e na devoção (tipicamente brasileiras) do que na lógica aristotélica ou qualquer lógica de outra natureza, sinceramente acredito que somente uma não-classificação para a próxima copa do mundo possa mobilizar a sociedade para uma mudança profunda. seria a morte do futebol brasileiro. para isso, me apóio nas palavras de glauber rocha, pai do cinema novo, mais especificamente em trecho brilhante de "terra em transe", uma de suas grandes obras:


Ando pelas ruas e vejo o povo magro, apático, abatido. Este povo não pode acreditar em nenhum partido.

Este povo alquebrado, cujo sangue sem vigor... Este povo precisa da morte mais do que se possa supor.

O sangue que estimula meu irmão à dor, o sentimento do nada que gera o amor.

A morte como fé, não como temor!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

sobre o clube de regatas do flamengo

era 1912. o flamengo já tinha 17 anos de fundação, porém jamais havia se aventurado num campo de futebol. era um clube de regatas, apenas regatas. fluminense e botafogo já faziam seus matches desde a década anterior. como descreve brilhantemente mario filho em seu clássico "o negro no futebol brasileiro", naquele ano de 1912, assim surgiu o flamengo que hoje conhecemos:



(à época havia) Um traço comum: a paixão pelo futebol. Era isso que assustava o clube de remo. De tal modo que foi uma luta convencer o Flamengo a entrar para o futebol. Nem mesmo recebendo de presente um time campeão, inteirinho, que tinha saído do Fluminense.


Dos campeões de 11, somente dois ficaram fiéis ao Fluminense: Osvaldo Gomes e Calvert. Os outros, Baena, Píndaro e Neri, Lawrence, Amarante e Galo, Baiano, Alberto Borghert e Gustavo de Carvalho, alguns do Rio (Futebol Clube), o clube de garotos do Fluminense, dispostos a ir para o Flamengo. E levando sócios com eles, torcedores, gente que o Flamengo precisava.


O Flamengo hesitou, acabou cedendo, mais para fazer uma experiência. Se o futebol não combinasse com o remo, nada feito.


...


(poucos anos depois) Também o remo e o futebol já se tinham misturado. O Flamengo não era mais dois clubes que viviam juntos, um de remo, outro de futebol, era um clube só. Com mais glórias até no futebol do que no remo. Só depois de levantar dois campeonatos de futebol é que o Flamengo levantou um campeonato de remo.


O futebol fizera-o mais forte em tudo, até no remo.



e foi assim que surgiu a maior torcida de futebol do mundo. deste embrião.
o flamengo sempre foi grande no futebol. pode-se dizer que este período de abnegação ao esporte bretão, de 17 anos desde a sua fundação, foi uma espécie de gestação do sentimento futebolístico no coração do flamenguista. e quando este desabrochou, foi com vontade. o flamengo é raça, paixão, tradição. o flamengo é arte. é futebol-arte.
o flamengo só não teve pelé porque o rei era vascaíno, mas teve seu antecessor e seu sucessor zizinho e zico, respectivamente. teve também dida, ídolo de zico. dida era o camisa 10 e principal craque da seleção às vésperas da copa de 58, quando sofreu uma contusão e deu lugar ao jovem pelé. até garrincha jogou no flamengo, porém sem brilho, em fim de carreira. nem precisava, seria muita crueldade que garrincha não tivesse brilhado no botafogo, e sim no flamengo.
os campeonatos começam e terminam, o flamengo os vence ou os perde, mas aconteça o que acontecer, o flamengo continua flamengo. não sou flamenguista, particularmente no rio de janeiro até tenho mais afinidade com o botafogo, mas é impossível ficar indiferente ao brilho ofuscante do flamengo.
ontem cometi uma tolice, apostei contra o flamengo com meu irmão flamenguista.
no atual campeonato brasileiro, o flamengo ocupa a 4° posição, com 40 pontos ganhos. após um ótimo início, quando liderou a competição por várias rodadas, o time de caio júnior sofreu algumas baixas, em decorrência da janela de transferências dos clubes europeus, perdendo alguns importantes jogadores transferidos para o exterior. como solução foi buscar atletas de outros países da américa do sul, como o uruguaio sambueza, de outras equipes nacionais, como o atacante vandinho e até da europa, como o veterano marcelinho paraíba, entre outros. após um período de queda de rendimento e de adaptação destes novos atletas, o flamengo parece estar readquirindo a velha forma e, se aproveitando do nivelamento (por baixo) de todas as equipes do brasileirão, vem subindo de produção e vencendo importantes jogos, como o de ontem, contra o figueirense, em florianópolis, por 3 a 2.
agora, voltando à aposta: eu apostei que o flamengo perderia ou empatava e o meu amigo que o flamengo venceria. conseqüentemente, se eu vencesse, ele teria que me pagar uma cerveja e se ele (ou o flamengo, como preferir) vencesse, eu teria que lhe pagar uma cerveja e escrever sobre o jogo de ontem no blog.
aceitei na hora, mas nem tomei conhecimento do jogo. no fim das contas, tenho de fazer uma confissão. no fundo, no meu inconsciente, eu estava torcendo para o flamengo pois, pensando melhor, eu só teria a ganhar. ganhar a oportunidade de pagar uma cerveja ao meu amigo-irmão flamenguista-roxo (e tomá-la com ele, obviamente) e de escrever sobre esta página das mais importantes da história do futebol: o clube de regatas do flamengo.