sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Suor azul.

O Cruzeiro é transpiração. É uma máquina a todo vapor, uma linha de produção, na verdade, de jogadas rápidas, triangulações, tabelas, jogadas em profundidade, pelo meio e pelos flancos, e muita marcação. Lucas Silva, o galã cão-de-guarda, sempre atento, sempre pronto a destruir os sonhos adversários. Nilton, de volante comum a autor de algumas obras-primas. E muita pegada, muitos tostões nos tornozelos alheios, em meio a tiros certeiros de longa distância. No banco, Henrique e Souza, sempre prontos ao combate. Não adianta secar, o suor cruzeirense já venceu.

O camisa 10, de fato, na verdade veste a 17 e nem meia é. É lateral de origem e, enquanto na posição, nunca foi brilhante. Mas, Éverton Ribeiro virou meia-de-ligação no Coritiba, mas, desde então, desempenha a inédita função de meia-ponta-armador, se é que me entende. Ele é rápido, joga-se aos cantos, surge, como mágica, novamente no meio, aparece na área - cobra o escanteio e vai à entrada da área emendar de canhota. E que canhota ligeira!

O 10 de direito é o experiente Júlio Baptista, que pouco joga, apesar da inegável qualidade. Na frente, presenças marcantes do dedicado Ricardo Goulart, do preparador e perdedor de gols William e do sempre letal Borges. Nem Luan, polivalente, tem mais lugar nessa linha. Isso sem falar de Dagoberto e sua eterna falta de objetividade - sem chance. Todo o suor tem resultado em muitos gols, mais precisamente 58 tentos em 28 partidas, por enquanto.

Dedé é o retrato da zaga azul. Um zagueiro decisivo: desarmes precisos, brilhante no alto, veloz, ágil e líder. Uma fortaleza à frente da segunda melhor defesa da competição, dando suporte as sempre perigosas investidas dos laterais do dia, sejam Mayke e Egídio ou Ceará e Everton.

Na meta, Fábio, um ilusionista dos postes, um goleiro verdadeiramente surpreendente, de super-reflexo, muito seguro nas saídas de gol e de bola, e dificílimo de ser batido debaixo das traves e no mano-a-mano. Experiente, vencedor e extremamente objetivo. Um grande goleiro, ídolo do clube e prestes a se tornar o recordista de partidas defendendo o arco da Raposa.

O comandante, Marcelo Oliveira, é cria do Galo e teve de suar à beça para convencer a massa azul. E, definitivamente, conseguiu. 

Todo esse suor, certamente, não será em vão.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Seedorf e o Botafogo.

Um líder. Este é Seedorf. Ele bota o jogo p'ra rolar; no pé dele o jogo não pára. E a bola corre solta, feliz, sorrindo. Por vezes, encontrando os pés de Vitinho, seu mais dedicado súdito. Vitinho é explosão e atitude. É uma energia extra, uma extensão, que dá maior fluidez a toda essa massa-talento.

E o Botafogo é líder. 

Foi 3 a 3, o Inter foi bravo. O Inter tem Scocco, a revelação de Rosário, e tem D'Alessandro. Tem o mais bravo de todos, Damião. Só não se sabe até quando. Dessa vez, foi fogo cruzado. Vitinho de um lado, Scocco do outro e teve ainda Seedorf e o guerreiro Fabrício no fim. Esse jogo teve tudo. Teve a cega ira de Dunga, um show de truculência perante a ofuscante elegância de Oswaldo.

O líder Botafogo tem verdadeira liderança e vencedora coerência. Tem a qualidade que pode e apoio de poucos. O Botafogo é para poucos.

É impossível prever o que vai dar. Mas, que gostoso que é.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O tempo e o Nense.

O Fluminense Football Club foi pioneiro no futebol profissional do Brasil. Sempre apoiado em poupudos incentivos financeiros advindos da elite carioca, a partir da segunda metade da década de 1930 até o início dos anos 40, o Fluminense reinou absoluto nos torneios cariocas e conseguiu as suas primeiras conquistas internacionais. Toda essa modernidade, um claro reflexo da sociedade da então capital da república, com nítidos paralelos a inúmeros aspectos derivados, como a lógica conservadora e a moral banhada em preconceito racial e de origem socioeconômica - características compartilhadas com a maioria dos clubes de futebol à época, e que preservam alguns fortes traços até os dias de hoje.

Sua suntuosa sede, construída em arquitetura neoclássica, dotada de lustres de cristal austríaco e peças de porcelana e prata, constituída no bairro das Laranjeiras desde o início do século, já tinha a companhia do charmoso e acanhado estádio, e abrigava festas e eventos da alta sociedade. O Fluminense nadava de braçada nesse mar de luxo e glamour, e emplacava vitoriosas equipes nas já popularizadas competições de futebol.

O tempo passou, o futebol profissionalizou seus jogadores, de forma generalizada, o Fluminense tornou-se um time de massa, eliminou as restrições raciais, ganhou títulos, conquistou respeito no meio futebolístico e se posicionou como uma das maiores forças do futebol brasileiro. No momento em que as contradições do sistema forçaram os clubes - reféns do desenvolvimento da lógica moderna - a profissionalizarem a sua administração como medida essencial de sobrevida, o Fluminense entregou as suas finanças do futebol profissional e, como consequência, o seu poder de decisão nos assuntos relacionados, a uma empresa de planos de saúde. Veja só, que golpe da modernidade! O mais claro reflexo da sociedade moderna, a privatização do que jamais poderia ser privatizado: o futebol. Digo, a saúde. Que ironia, não?

O capital, histórico aliado do Fluminense, armou uma jogada inesperada e impôs ninguém menos que Vanderlei Luxemburgo, flamenguista, no comando do futebol tricolor. Mais do que isso, como num amálgama de conceitos, tendências, morais, preconceitos, lógicas tortas, medos privados e tudo de menos revelável que qualquer personalidade possa ter, desvelou-se o mais obscuro desejo da elite tricolor: o de ser igual aos "outros".

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Vasco e Flamengo dos padrões FIFA.

Ainda que os números defendam com afinco e alguma galhardia a lógica que reverte o senso comum de crença em alguma superioridade rubro-negra sobre o gigante-da-colina, não vamos nos render a estes gélidos signos, de tanta arrogância, rispidez e indiferença. Quem lhes queira, que vá atrás das compilações de dados, tão úteis e monótonas quanto um frasco cúbico de isopor. Aquele mesmo que mantém geladas as companheiras cervejas que acompanham o ritual clássico de se assistir o jogo dos milhões. 

São milhões. Reunidas, a 1ª e a 5ª maiores nações do futebol brasileiro, numa seleção de 50 mil abastados agraciados pela ocasião, em plena capital nacional, fazem ensurdecedor ruído de paixão incondicional. Apenas a reverberação de uma orquestra de percussão de mais de 60 milhões de almas devotas. Corações rendidos.

O presente, como se vê, não é de flores. O Flamengo passa por uma reestruturação organizacional, bem aos moldes das corporações capitalistas, afinal, tem em seu comando geral um burguês de mão cheia, o novo presidente, que poucos sabem o nome e o elegeram muito mais pelas credenciais da grana do que por alcunha, representatividade histórica, paixão, ou coisa que os valham. O técnico, Mano Menezes, um perfeito gerente de departamento corporativo. Meio estilo disciplina do capital, meio militar reformado - apesar de ele mesmo nem sonhar-se desta maneira - costuma funcionar. Apesar do revés na seleção, este gaúcho de pouco mais de 50 anos, joga o futebol de justos resultados. Aposta tudo no seu faro de placares mínimos e vitórias apertadas. Costuma dar heroica moldura aos seus comuns triunfos. Eu acho, é pouco. 

O flamenguista nunca gostou de miséria e, em que se puder evitá-la, como no campo de futebol, dos sonhos por novos Zicos, Júniors, Leandros, Nunes, Andrades e Adílios, que faça-se desta forma, pensa o rubro-negro. O time, ainda meio que uma desordenada compilação de médios-talentos, como o goleiro Felipe, o bom e velho Leonardo Moura, o gringo-brasileiro valente González na zaga, e boas surpresas, por vezes nem tão novas assim, no meio, como Elias e Paulinho (não esse de hoje). Na frente, Marcelo Moreno, um caneludo de primeira, acompanhado do bom Gabriel. A qualquer momento, conta-se com presença colérica do jovem Nixon, de poderoso futebol. 
       
De forma melancólica, pode-se dizer que foi suficiente para bater a inoperante esquadra cruzmaltina. Como dinamite, o bom time do Vasco de 2 anos atrás explodiu em meio a dívidas e deserções. Roberto, o ídolo-presidente, é o espelho de uma grande parcela de carismáticos políticos brasileiros. Dotado de algumas boas vontades, para si e, às vezes, à maioria, é a personificação de uma incompetência com tons de silêncio tchekhoviano. Tem trocado o comando da equipe por repetidas vezes nos últimos tempos e, com pretensões românticas e paliativas, já se apressou em empossar no cargo o velho conhecido e mal-compreendido Dorival Júnior, vitorioso na campanha do retorno à Série A, anos atrás. Será medo, esperança ou um verdadeiro amálgama de sentimentos essencialmente inseguros? O vascaíno sofre.
       
Do magro e apático 1 a zero para o Flamengo, há pouco o que se falar, senão menção honrosa ao esforço do bravo Elias, um tom de classe à meia-cancha flamenguista. Louros também ao autor do gol, Paulinho. Um gol diminuto, inversamente proporcional à vasta imensidão do abismo que separa a grandeza destas instituições e a limitada visão periférica de quem as pensa e dirige.
       
O Rio não tem mais estádios, pode? Tem rios de dinheiro público rolando nos mais obscuros campos do entendimento humano; o Maraca tem dono - o ex-homem mais rico do Brasil - botafoguense e o Botafogo também não têm onde jogar. O clássico dos milhões é e sempre foi do Maraca, mas o Maraca agora tem dono. O dono de tantos milhões.
     
E nessa trama-mutreta tão brasilianista, o clássico foi parar em Brasília, a preços absurdos, para vascaínos e flamenguistas que somente conhecem as ruas das janelas de suas naves blindadas de qualquer externo distúrbio. Não menos apaixonados, talvez, mas menos interessados em bagunçar seus topetes em meio a pulos e gritos apaixonados. E este tão conservador trato é reflexo direto de tudo o quanto se pode ver deste futebol enlatado de Flamengo, Vasco e todos os outros ditos grandes no Brasil, no caldo de um espírito tão reacionário quanto de quem só pode pensar naquilo - na Copa do Mundo.

Que mesmo os mais despercebidos, distraídos ou alienados, por que não?, de uma maneira ou de outra sintam-se, ao menos, coçados pela indiferença, arrogância, rispidez, verdadeira maldade, que se reflete na realidade de suas mais íntimas paixões, como os clubes de futebol, suas casas (dos clubes e dos próprios tantos torcedores, expropriados de seu chão por decreto do padrão FIFA), suas cores e bandeiras. Que este triste Vasco e Flamengo em Brasília seja símbolo da indignação dos traídos. Um movimento duramente naturalizado guela abaixo de todos nós e que será reproduzido até quando se puder. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A bola, a TV e os 13.

O Corinthians e os grandes clubes de futebol do Rio de Janeiro saíram do Clube dos 13. Dizem, o Palmeiras e outros vem aí. Todos fundadores da entidade, que tinha como proposta inicial a criação de uma liga independente da CBF, autônoma e transparente, e que depois se rendeu às facilidades de ser apenas uma intermediária das negociações de direitos de transmissão do campeonato, livrando-se assim do ônus de ter que organizar a competição. Seria Andrés Sanchez um mártir, guardião dos direitos dos clubes?

Jamais. Seu interesse nada tem a ver com assegurar qualquer legítimo direito de negociar individualmente os direitos de sua agremiação. Assim como não deve ser encarada como vanguardista ou legalista a atitude dos cariocas. Não se engane, nenhum destes está agindo para o bem do futebol brasileiro, como estão (eles mesmos) dizendo. Diz-se, à boca pequena, que trata-se de uma lealdade forçada à TV Globo, que teria lhes adiantado parte do dinheiro referente aos direitos de transmissão, sem sequer ter ganho a concorrência para o próximo triênio. É um jogo de rabo preso, uma manobra ilegal, à margem das vias que colocariam o futebol brasileiro no rumo certo.

Sem dúvida, o melhor dos dois mundos seria a criação da liga, sob administração rotativa dos presidentes dos clubes e com executivos contratados, gestão profissional. Que fosse responsável pela total organização do campeonato, desde aspectos técnicos das quatro linhas, até a geração de imagens e comercialização das mesmas. Com quotas proporcionais ao volume de exibição de cada clube, ou até com divisão igualitária. O Clube dos 13 sobrevive às custas da incapacidade (leia-se falta ou sobra de interesse) dos clubes de se organizarem sozinhos. E tira muito proveito disso. É um escritório com alguns poucos funcionários, baixo custo operacional e responsável por transações que, este ano, atingirão a marca de bilhões de reais, sejam oriundos da fiel fortuna do Bispo, ou da manjada negociata global.

Nessa briga, não há mocinhos ou bandidos. Aconteça o que acontecer, sempre foi e, pelo jeito, continuará sendo cada um por si. No pior sentido e na mesma torta direção.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Futepatologia.

Onde será que se perdeu meu gosto por falar de futebol? Realmente, se estou ausente deste canal há bom tempo, existe um motivo. E cabe alguma reflexão para descobri-lo.

A idade tem papel, mesmo que secundário. O futebol é paixão demais para ser maduro. Por isso, é tão bom. É criança mimada, é pelada de rua. É amor puro e ao mesmo tempo sexo selvagem, na lama, na raça do gol suado. É classe, também: do chapéu, do drible curto. É a malícia da caneta, do gol de letra. É vida e fantasia, ao mesmo tempo.

Mas, o futebol de hoje é muito mais dos cartolas, que, apesar dessa alcunha, em sua maioria, não são nada elegantes ou discretos. Caras-de-pau, chutam o balde e confundem paixão pública com tesão privado. É a tara da riqueza fácil, da fama plebeia que deveria ser propriedade exclusiva dos verdadeiros boleiros. Desde que a bola é grana, a malandragem vem sendo, gradativamente, substituída pela sacanagem de colarinho branco. A safadeza do branco de corpo e alma, do cego ao coletivo. O vendido-homem de família, travestido de sério e de mole-falso-pseudocordial discurso corporativo, a tudo quanto é assunto popular. Nunca foi tão difícil unir, de dentro pra fora dos clubes, paixão e futebol. Os jogadores (e diga-se aqui, boa parte deles sem qualquer talento futebolístico) passaram de boleiros a blogueiros - enganosos propagandistas de um estrelato sem razão de existir. O futebol passou de vida e pureza-fantasia a engodo de má qualidade. O jogo mal jogado é coqueluche mundial de futebol eficiente. Logo a arte transmutou-se em ciência, como num passe de mágica.

Os lances ilusionistas dos magos dos gramados simplesmente desapareceram. As cifras se multiplicaram e o apego do herói ao seu uniforme sumiu. Assim, os heróis não são mais heróis, senão por menos de seis meses. Meia dúzia de jogos e já vão esconder-se em qualquer gélido canto do planeta. O mundo é uma bola e ela está cada vez mais murcha.

Agora entendo melhor quando me chamam de corinthiano doente. Camisa loteada? Promessa de estádio-esquemão? Moradei, Moacir e Morais? Ingresso em lugar descoberto a 100 reais? Fora a inversão de valores atribuídos às competições. O Paulistão é "paulistinha", O Brasileirão é obrigação e o importante é a Libertadores. Onde ninguém se conhece, corinthians e cruzeiro é clássico. Afinal, quanta rivalidade! Nossos arqui-inimigos, os azuis. Não seriam os verdes, os tricolores? Até os alvinegros praianos, por que não? Não serei hipócrita, claro que é emocionante. Mas, muito mais uma emoção enlatada que compramos sem querer, querendo. Porém, francamente: escalonar emoções, classificá-las, atribuí-las níveis de importância? Só pode ser patologia.

terça-feira, 20 de julho de 2010

brasileirão pós-copa.

a ressaca pós-copa mal teve tempo de ser curada, e já recomeçou o campeonato brasileiro. a disputa pelo caneco, sempre muito equilibrada dentre todos os participantes, tende a se concentrar entre corinthians, fluminense, santos, cruzeiro e são paulo. salvo alguma surpresa, esse deve ser o grupo que vai brigar pelo título. na briga da libertadores, seguem flamengo, palmeiras, atlético mineiro, internacional e grêmio, podendo até algum desses dar uma escapada e encostar na ponta. pouco provável.

o melhor futebol apresentado, por enquanto, é nenhum. nem o santos de toques rápidos e jogadas mágicas está empolgando mais. ganso, neymar e robinho têm muito talento, mas não têm como evitar falhas do sistema defensivo, muitas vezes composto por nomes como pará e maranhão. nada contra os estados, mas os jogadores que se apropriaram destes nomes e os usaram como suas alcunhas, estão longe de arrancar suspiros da torcida santista. o corinthians joga feio e ganha apertado; o elenco é limitado, o time é razoável e o goleiro ainda é uma incógnita. mandar embora uma promessa como felipe e contratar o vovô paraguaio bobadilla é uma aposta arriscada. o fluminense tem muricy, mas ainda não ficou provado que basta o ex-técnico sãopaulino no banco para brigar pelo título. o time das laranjeiras vem jogando fechadinho e conseguindo bons resultados. mas, um campeão precisa mais do que isso, precisa saber atacar quando preciso. com as tão aguardadas chegadas de deco e beletti para municiar o artilheiro fred, possivelmente esse problema será solucionado. o cruzeiro tem um bom time, que joga junto faz tempo, um elenco nivelado, boas revelações como jonathan e diego renan nas laterais, mas também tem cuca no banco. o eterno treinador chororô ex-botafogo ainda não mostrou que é capaz de ganhar um brasileirão. seus times costumam ser bem armados, mas sempre falta aquele "algo mais". cuca aparenta ter dificuldade até para motivar a si próprio, quanto mais os jogadores. já o são paulo joga sempre com menos pressão que os demais. o número de títulos acumulados nos últimos anos traz tranquilidade para trabalhar. fora isso, tem um elenco experiente e entrosado. os pontos negativos são o técnico ricardo gomes que, apesar de já estar dirigindo o são paulo desde o ano passado, ainda não conseguiu dar padrão de jogo para a equipe tricolor. aliás, nem definiu um time titular sequer. outro ponto negativo (e, aí, muitos sãopaulinos vão discordar), é a "imortalidade" de rogério ceni. há mais de ano, o ídolo já "virou o fio", mas não quer largar o osso. seria muito útil como dirigente ou algo do tipo. dentro das quatro linhas alterna uma boa atuação com dez partidas médias, fracas ou patéticas. todavia, sua liderança ainda parece ser saudável.

na luta pela vaga libertadores, há de se destacar mais firmemente o palmeiras de felipão, apenas por causa do treinador. time por time, flamengo, inter, grêmio, atlético mineiro e palmeiras se equivalem, mas o técnico pentacampeão do mundo pela seleção brasileira tem tudo para fazer a diferença nessa disputa.

o botafogo de joel santana parece fadado a ficar no limbo da zona de classificação para a copa sulamericana. os outros, tendem a orbitar entre esse limbo e a zona de rebaixamento. para cair, os grandes candidatos desse ano parecem ser vasco, atlético goianiense, atlético paranaense, guarani e grêmio barueri de presidente prudente.

a sorte está lançada.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

vai, flamengo!

amigos, nesta postagem estou repetindo parte do texto originalmente publicado neste blog no dia 04/09/2008. é uma homenagem ao flamengo, clube que venceu o galo no mineirão no último domingo e que, diante do que se apresenta, terá, daqui até o final do campeonato, a minha torcida para que conquiste o brasileirão deste ano.


sobre o clube de regatas do flamengo

era 1912. o flamengo já tinha 17 anos de fundação, porém jamais havia se aventurado num campo de futebol. era um clube de regatas, apenas regatas. fluminense e botafogo já faziam seus matches desde a década anterior. como descreve brilhantemente mario filho em seu clássico "o negro no futebol brasileiro", naquele ano de 1912, assim surgiu o flamengo que hoje conhecemos:



(à época havia) Um traço comum: a paixão pelo futebol. Era isso que assustava o clube de remo. De tal modo que foi uma luta convencer o Flamengo a entrar para o futebol. Nem mesmo recebendo de presente um time campeão, inteirinho, que tinha saído do Fluminense.


Dos campeões de 11, somente dois ficaram fiéis ao Fluminense: Osvaldo Gomes e Calvert. Os outros, Baena, Píndaro e Neri, Lawrence, Amarante e Galo, Baiano, Alberto Borghert e Gustavo de Carvalho, alguns do Rio (Futebol Clube), o clube de garotos do Fluminense, dispostos a ir para o Flamengo. E levando sócios com eles, torcedores, gente que o Flamengo precisava.


O Flamengo hesitou, acabou cedendo, mais para fazer uma experiência. Se o futebol não combinasse com o remo, nada feito.


...


(poucos anos depois) Também o remo e o futebol já se tinham misturado. O Flamengo não era mais dois clubes que viviam juntos, um de remo, outro de futebol, era um clube só. Com mais glórias até no futebol do que no remo. Só depois de levantar dois campeonatos de futebol é que o Flamengo levantou um campeonato de remo.


O futebol fizera-o mais forte em tudo, até no remo.



e foi assim que surgiu a maior torcida de futebol do mundo. deste embrião.
o flamengo sempre foi grande no futebol. pode-se dizer que este período de abnegação ao esporte bretão, de 17 anos desde a sua fundação, foi uma espécie de gestação do sentimento futebolístico no coração do flamenguista. e quando este desabrochou, foi com vontade. o flamengo é raça, paixão, tradição. o flamengo é arte. é futebol-arte.
o flamengo só não teve pelé porque o rei era vascaíno, mas teve seu antecessor e seu sucessor zizinho e zico, respectivamente. teve também dida, ídolo de zico. dida era o camisa 10 e principal craque da seleção às vésperas da copa de 58, quando sofreu uma contusão e deu lugar ao jovem pelé. até garrincha jogou no flamengo, porém sem brilho, em fim de carreira. nem precisava, seria muita crueldade que garrincha não tivesse brilhado no botafogo, e sim no flamengo.
os campeonatos começam e terminam, o flamengo os vence ou os perde, mas aconteça o que acontecer, o flamengo continua flamengo. não sou flamenguista, particularmente no rio de janeiro até tenho mais afinidade com o botafogo, mas é impossível ficar indiferente ao brilho ofuscante do flamengo.

sábado, 7 de novembro de 2009

curta (torcida) homenagem ao galo.

o atlético mineiro, do gelo ao céu (sem quatro estrelas), felizmente renasce perante o cenário nacional do esporte mais globalizado do lado oeste do planeta.

após 38 anos de espera, enfim, chega a tão sonhada hora do galo disputar seriamente o mais desejado campeonato do futebol nacional. nada mais merecido para o mais querido de minas, que lota estádios e inflama radiotransmissões brasil afora.

o que resta é meia dezena de infindos jogos que, logo terminados, decretarão o campeão desse ano. que seja o galo, o clube que, definitivamente, mais deseja e precisa deste troféu.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

14 dias sem corinthians

o intervalo de 14 dias sem jogos do corinthians, em pleno meio de campeonato brasileiro, significou um vazio imenso para toda a nação corinthiana. dias vazios, de tristeza. com este sentimento, fiz um poema. sei que não é lá bem a temática deste blog. mas fica aí, agora, minutos antes de se encerrar esse "jejum" (o corinthians jogará contra o coritiba, na capital paranaense, dentro de poucos minutos), o meu grito de agonia contra a falta de sensibilidade dos que elaboraram (ou alteraram) a tabela de jogos do meu timão.

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14 dias sem Corinthians

Meu sentimento por ti é translúcido
aos lúcidos olhos dos puros de alma
e libertos das cruéis amarras
dos tabus sem razão de ser.

Te ter por perto é real
a ponto de fazer-me sentir aberto
a caminhar pelas mais deliciosas
fantasias; viciosas peças de prazer.

A tua ausência é certeza de vazio,
um filme sem final, sem companhia;
é fevereiro sem carnaval,
boteco sem filosofia.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

o golaço e a trave.

a definição de golaço é absolutamente pessoal e subjetiva. mas, pode-se dizer que existe uma espécie de senso comum sobre o assunto, de forma que certos "tipos" de gol, se é que assim podem ser classificados, tendem a ser universalmente considerados golaços.
por exemplo, o gol de bicicleta. a verdadeira bicicleta, como aquela que ficou eternizada na foto em que leônidas da silva está "inventando" oficialmente o movimento (foto abaixo).



ou aquela dada por rivaldo, de fora da área, quando ainda jogava pelo barcelona (vídeo abaixo).





estes são casos típicos de golaços universais. assim como gols de calcanhar, de letra, de cobertura, de "bola e tudo" e de falta, com a condição, em todos os casos, de não ter havido falha grave do adversário, principalmente do goleiro.
contudo, existe mais um tipo específico de golaço. é aquele em que o jogador acerta um chute forte e certeiro de fora da área e a bola bate no travessão ou em uma das duas traves antes de entrar.
o gol de elias, ontem, no empate de 2 a 2 entre barueri e corinthians é um ótimo exemplo. a bola ainda faz uma incrível curva e toca em uma das traves antes de entrar (vídeo abaixo).





em gols desse tipo, incrivelmente, o fato de a bola chocar-se contra a trave antes de entrar causa, na maioria dos apaixonados por futebol, um impacto visual que desencadeia uma reação de euforia instantânea ("nossa, que golaço!"). e, muitos dos que estão lendo esta postagem agora, sabem que um golaço do time de coração é quase um orgasmo.


-a rodada e o cartola fc

agora, algumas rápidas considerações sobre a rodada do brasileirão e o cartola fc. quem apostou no barueri contra o corinthians, se deu bem. ontem, em jogo isolado da 22ª rodada, val baiano pontuou bem graças ao gol, assim como o lateral márcio careca, que deu duas assistências. no corinthians, destaque menor para o autor do citado golaço, elias.
os jogos santos 3 x 3 internacional realizado ontem e botafogo 1 x 1 cruzeiro, são atrasados de rodadas anteriores e, por isso, não valeram para o cartola. serviram, sim, somente para atrapalhar os participantes, com suspensões e lesões de alguns jogadores para o complemento da rodada agora no fim-de-semana.
quanto às possibilidades, acredito muito no santos, em casa, contra o fluminense; no atlético mineiro contra o sport; em empates com gols nos confrontos coritiba x avaí e vitória x cruzeiro; no inter, no beira-rio, contra o forte goiás; no aguerrido botafogo de estevam soares contra o time que não ganha fora de casa, o grêmio; no náutico, nos aflitos, contra o atlético paranaense; e em empates magros nos jogos flamengo x santo andré e, também, no clássico com ares de final do campeonato, entre o embalado são paulo e o palmeiras de muricy. façam suas apostas.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Eu e o cartola.


como todos aqueles que acompanham este blog já devem ter percebido, há muito tempo não tenho me dedicado à sua manutenção. os motivos são vários, dentre os quais se destacam a preguiça, a mudança de foco para o meu blog sobre poesia, o http://poesiadepadaria.blogspot.com/, mas, principalmente, ao meu desinteresse atualmente pelo futebol, em geral. muitos dos meus amigos me pediram para voltar durante esse tempo, mas nada me motivava a escrever. foi aí que eu comecei a jogar o cartola, o fantasy game do sportv (http://www.cartolafc.com.br/), do qual falarei mais adiante, nesta mesma postagem.
a propósito, comecei a jogar por influência do meu amigo lucas japonês, lucas viotto para os íntimos, o qual também é um grande caricaturista e me presenteou com a caricatura acima no meu aniversário. visitem o site da fera, http://viottoo.blogspot.com, vale a pena, tem muitos outros ótimos trabalhos!
voltando ao cartola, trata-se de um jogo online em que o participante faz o cadastro no site, de forma gratuita, e tem direito a montar um time, com escudo, nome, esquema tático e tudo mais. os jogadores são os que disputam o campeonato brasileiro e é cedida uma verba inicial virtual para cada participante para que possa escolher 11 jogadores e o técnico. a valorização ou desvalorização dos mesmos, assim como a pontuação de cada equipe a cada rodada se dá pelo desempenho real de cada atleta no brasileirão. os pontos são computados conforme uma tabela pré-estabelecida, de forma que, por exemplo, gol marcado vale "x" pontos, falta cometida vale "y" pontos negativos, e por aí vai. o competidor pode montar uma escalação diferente por rodada, conforme a verba disponível. o resto, só jogando mesmo pra entender.
esse jogo me fez mudar a forma de assistir a cada partida; muitas vezes torcer para times rivais, torcer contra o meu time e cometer diversas outras "incoerências". faz com que você tenha que analisar cada rodada, cada jogador de destaque e o desempenho atual de cada equipe. a partir das próximas postagens, pretendo comentar aqui o desempenho do meu time a cada rodada, fazendo assim um comentário geral sobre cada equipe do brasileirão.



terça-feira, 14 de abril de 2009

que jogo!

é impossível ficar indiferente à champions league. o maior e mais importante torneio interclubes do mundo é adrenalina pura.
nas últimas duas décadas, o torneio vem se revelando um termômetro da força de cada liga nacional européia. foi assim com o milan e a soberana liga italiana do início dos anos noventa, com barcelona e real madri, confirmando a hegemonia da liga espanhola desde a segunda metade da década passada até a primeira metade da década atual e, desde então, a liga que mais se destaca no mundo é a inglesa. não por menos, nos últimos anos, os times ingleses são presença garantida nas fases finais da competição.
este ano, nada menos do que os 4 times ingleses que se classificaram para a champions (manchester united, chelsea, liverpool e arsenal) obtiveram vaga para a fase de quartas-de-final. por motivo de sorteio, dois deles, chelsea e liverpool, fizeram um dos confrontos da fase. e que confronto!
semana passada, vitória do chelsea por 3 a 1 na casa do liverpool, em anfield. todos davam os reds por vencidos, porém, no dia de hoje, o liverpool mostrou porque jamais pode ser subestimado.
o jogo começa e o liverpool, precisando do resultado, inicia a pressão. 20 minutos de jogo, 1 a 0 liverpool, num gol de falta do brasileiro fábio aurélio, contando com uma falha de posicionamento do goleiro azul, peter cech. logo em seguida, aos 30, pênalti para o liverpool. duvidoso, mas marcado. o volante espanhol xabi alonso, que estava fazendo a função do capitão gerrard, suspenso para este jogo, bate e marca. 2 a 0 e fim de primeiro tempo. nas arquibancadas, vermelhos eufóricos e azuis apreensivos.
começa o segundo tempo e o chelsea volta com outra atitude. numa jogada de anelka pela ponta direita, o centroavante francês cruza rasteiro e forte para a pequena área, conta com um leve desvio para o gol do companheiro drogba e com um frangasso do goleiro do liverpool, pepe reina, para marcar 2 a 1 no placar. os blues respiram. a reação continua, o chelsea aperta e chega ao empate numa cobrança de falta do zagueiro brasileiro alex, que substituía o capitão terry, suspenso. num torpedo da entrada da área, ele estufa as redes no canto esquerdo alto do goleiro vermelho. um bonito gol!
os torcedores do liverpool que foram a londres já estavam desanimados, quando, como se desgraça pouca fosse bobagem, o chelsea vira o jogo com o capitão de hoje, lampard, que completa o cruzamento vindo da esquerda. 30 do segundo tempo, 3 a 2 chelsea, vaga garantida. ou não?
o liverpool é daqueles times que nunca se dá por vencido, e assim foi. aos 37, o brasileiro lucas arrisca, desesperado, de fora da área; a bola desvia na zaga, engana o goleiro cech e entra. 3 a 3. e 2 minutos depois, inacreditavelmente, o liverpool vira com uma cabeçada do holandês dirk kuyt! os reds estavam de volta!
porém, aos 44, após um rápido contra-ataque azul, lampard recebe um passe na marca do pênalti e, com muita categoria, chuta no canto direito do goleiro reina, que ainda assiste a bola bater em suas duas traves antes de beijar as redes. 4 a 4, placar final.
sem sombra de dúvida, uma classificação suada do chelsea, uma eliminação doída para o liverpool, mas, acima de tudo, um enorme presente para os apaixonados pelo bom e velho futebol.

terça-feira, 10 de março de 2009

debut.

enfim, domingo, ronaldo fenômeno estreou pelo corinthians. digo que foi domingo, pois estaria cometendo uma "injustiça roteirística" no grande drama que é a carreira do craque, se dissesse que a estréia foi contra o itumbiara, na quarta. com todo respeito ao time e a cidade de goiás, e não só por isso, o primeiro jogo do fenômeno pelo timão jamais poderia ter sido aquele.
já vou me explicando, então. em primeiro lugar, a estréia, de direito, só se deu em itumbiara por culpa do próprio ronaldo. a programação era entrar somente contra o palmeiras, mas ronaldo, como bon vivant que é, foi se divertir na noite de presidente prudente, onde o corinthians estava concentrado, dias antes do jogo contra o itumbiara. para tirar deste fato os holofotes da imprensa, o inteligente técnico mano menezes, muito possivelmente em conjunto com a cúpula corinthiana, decidiu anunciar que ronaldo ficaria no banco de reservas em itumbiara, e que, se o jogo se apresentasse favorável, até poderia entrar. ponto final, não se falou mais na farra.
a estréia também jamais poderia ser em itumbiara, porque ronaldo não fez gol. tudo bem, não fez porque douglas foi fominha, mas até por isso, não seria justo com douglas, que por mais que tenha errado neste lance e que não venha fazendo uma boa temporada até agora, teria papel decisivo no jogo seguinte; o debut de ronaldo, de fato.
o jogo seguinte seria contra o palmeiras, o maior clássico do futebol paulista. líder e vice-líder do paulistão ficariam lado-a-lado, para um duelo de artilheiros. do lado verde, o jovem keirrison, a mais nova grande promessa do futebol tupiniquim, centroavante rápido e letal, porém bastante habilidoso, ao melhor estilo careca, nos bons tempos. do outro, mesmo que esquentando o banco de reservas, ronaldo, o maior artilheiro de todas as copas do mundo, segundo maior artilheiro da história da seleção brasileira (atrás de pelé), duas vezes campeão do mundo, três vezes eleito melhor jogador do mundo pela fifa, e por aí vai. esse jogo sim seria uma grande estréia para ronaldo. e assim foi.
daqui a algum tempo, poucos perfeccionistas se lembrarão de que ronaldo estreou em itumbiara. também poucos lembrarão de que douglas foi fominha. todos terão certeza absoluta de que ronaldo estreou contra o palmeiras, no dia 8 de março de 2009, entrando aos 23 minutos do segundo tempo, quando o palmeiras vencia por 1 a 0. que com 10 minutos em campo, arrancou, como nos velhos tempos, e disparou um tirambasso de fora da área para acertar em cheio o travessão palestrino. que cinco minutos depois, fez grande jogada pela ponta esquerda para cruzar na cabeça de andré santos que cabeceou para grande defesa do goleiro alviverde, bruno. e que, exatamente aos 47 minutos da segunda etapa, douglas cobrou o escanteio da direita, no segundo pau, na cabeça de ronaldo, que escorou firme para o fundo das redes! que gol! alucinado, ronaldo ainda correu para o alambrado para comemorar junto a fiel torcida. isso sim é uma estréia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

a bola pós-moderna.

muitos se referem ao futebol de hoje como "moderno", quando deveriam se referir como pós-moderno. a influência da pós-modernidade se dá em todos os tipos de manifestações culturais ocidentais contemporâneas, e é implacável.
o futebol, de forma geral, sofreu grande influência desta lógica cultural capitalista. principalmente a partir da década de 1980, com a consolidação da cultura globalizada, através da grande dinamização dos meios de comunicação, também cresceu muito o intercâmbio cultural futebolístico, porém direcionado, fundamentalmente, para o aperfeiçoamento de uma filosofia essencialmente voltada para o chamado "futebol de resultado", não só em campo, mas principalmente fora dele. a lógica é simples: um time para ser lucrativo, tem de ser vencedor. dessa forma, mesmo que jogue feio, tem de ganhar a qualquer custo, para que, assim, construa uma imagem de equipe vencedora e seja um bom produto.
não precisa nem dizer que as consequências desta mutação da mentalidade do futebol profissional trouxe quase que uma totalidade de aspectos negativos. o futebol deixou de ser alegre na maior parte do tempo, se tornou um esporte muito mais atrelado à força física do que a técnica e, apesar do advindo dos televisores coloridos, caminhou na contramão e se tornou cinza, sem graça. para não dizer vermelho, de sangue.
a competitividade exacerbada, traço forte da pós-modernidade, não só ofuscou o brilho do futebol em campo, como também refletiu nas torcidas. surgiram as torcidas organizadas que, em sua essência, têm um propósito muito interessante. um grupo reunido de pessoas apaixonadas pelo mesmo time (e, no brasil, por samba, na maioria das vezes), que organiza festas e vai aos estádios para dar apoio e empurrar a sua equipe. porém, o espírito de vida pós-moderno busca a competição entre os homens, para assim distinguir os "fracos" dos "fortes", custe o que custar; é a lei da selva. daí, de forma sucinta e simplista, porém elucidativa, evidenciam-se os reflexos da pós-modernidade no campo e nas arquibancadas. verdadeiras selvas, pessoas se comportando como animais selvagens e atacando em bando. nada mais apropriado para o futebol do capitalismo selvagem.
é claro que, no brasil, as consequências tendem a ser devastadoras. soma-se tudo isso a sérios problemas sociais, como a pobreza, a desigualdade em todas as suas faces, a injustiça, a ausência do poder público, etc. mas, voltando-se especificamente para os gramados, o que se vê é uma infinidade de equipes extremamente defensivas, futebol de pouco brilho, um exército de jogadores medíocres, até porque os talentosos acabam se transferindo, em sua maioria, para a europa já na adolescência, e um jogo demasiadamente viril, beirando a violência.
um bom exemplo de tudo isso foi o clássico majestoso, como é chamado, do último domingo. corinthians e são paulo desfilaram esquemas táticos retrancados, jogadores comuns e lances de volência gratuita. somente quando se viu um pouco de talento, com as entradas de hernanes, pelo time tricolor, e do jovem boquita, pelo corinthians, saíram os gols do disputado (no mal sentido) empate por 1 a 1. nas arquibancadas, violência. quebra-quebra na torcida do corinthians, revoltada com a imbecil decisão da diretoria do são paulo de destinar aos corinthianos somente 10% dos ingressos colocados à venda. decisão esta que foi amplificada de forma não menos imbecil pela sombria diretoria corinthiana que, no dia anterior ao jogo, declarou guerra contra o são paulo, anunciando que não mais alugaria o morumbi para disputar seus jogos e que, quando fosse mandante, daria o mesmo tratamento ao são paulo. na guerra dos cartolas, quem sofre de fato é o povo. em resumo, gaviões versus polícia militar e muitos feridos.
e o que se vê no horizonte é desanimador.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

ronaldo II

Viotto Caricaturas - http://viottoo.blogspot.com



a imensa torcida corinthiana, da qual tenho muito orgulho de fazer parte, teve um grande presente de natal. para alguns maldosos, um natal gordo. ronaldo fenômeno, maior artilheiro da história da copa do mundo, é do timão. independentemente de não jogar bem há muito tempo, de estar fora de forma, de ser flamenguista declarado e de, para muitos, já estar acabado para o futebol profissional, ronaldo é um ícone do futebol mundial e não pode ser desprezado. já deu a volta por cima em 2002, ganhando a copa do mundo como melhor jogador (menos para a fifa), e tem todas as condições de realizar feito semelhante este ano. vale a pena esperar.
todavia, o nome "ronaldo" já é sagrado no timão há duas décadas. todo corinthiano que já antigiu a idade adulta, quando pensa em ronaldo, a primeira figura que vem à cabeça é a de ronaldo soares giovanelli, goleiro que foi titular do corinthians de 1988 a 1998, jogando mais de 500 partidas. ronaldo, para muitos, foi o maior goleiro da história do corinthians e é corinthianíssimo declarado. hoje comentarista de futebol de uma emissora de televisão, faz questão de torcer abertamente para o corinthians, sempre que é dada alguma oportunidade de fazê-lo.
ronaldo era um goleiro com estilo. se agigantava em decisões, porém muitas vezes tinha atuações pífias em jogos sem importância. dono de personalidade forte, de atitude tão explosiva que beira a insanidade, ronaldo era respeitado por todos os que se atreviam a jogar no "seu" corinthians. tinha voz ativa na equipe e fazia questão de cobrar, acima de tudo, muita raça dentro de campo. raça que jamais faltou a ronaldo, tanto nos jogos, quanto nos treinos. ronaldo também gostava de desenhar as suas camisas. tinha um gosto muito duvidoso, porém se destacava em campo. cores berrantes e o número 1 às costas em algarismo romano, o famoso I, sua marca registrada. também foi um dos primeiros a autografar a camisa. ronaldo era um goleiro de defesas de grande plasticidade, adorava dar pulos desnecessários para sair bonito na foto. ronaldo também é rock'n'roll. quando ainda jogava no corinthians em 1997, gravou um disco com a banda "ronaldo e os impedidos" e, posteriormente, outro cd com a banda "ronaldo e os fora da lei". grande ronaldo!
ronaldo ganhou, pelo corinthians, os títulos paulistas de 1988, 1995 e 1997, a copa do brasil de 1995 e o brasileirão de 1990, seu título mais importante, e do qual foi peça decisiva ao lado de neto, o eterno xodó da fiel. infelizmente, no início de 1998, o corinthians contratou vanderlei luxemburgo como técnico que, por via de regra, sempre costuma mandar embora os jogadores famosos de seu elenco, para que estes não apareçam mais do que ele, e para que não tenham grande influência em seu grupo de comandados. e assim foi, luxemburgo dispensou ronaldo do corinthians. uma grande perda.
quanto a ronaldo fenômeno, torço para que faça grande sucesso no corinthians, que seja um grande artilheiro e que ganhe muitos títulos. porém, por mais que seja ídolo do futebol brasileiro, por mais que venha a ser bem sucedido no corinthians, para a enorme torcida corinthiana, jamais será maior que o grande goleiro ronaldo. será, na melhor das hipóteses, um segundo ronaldo ou, simplesmente, ronaldo II. sem dúvida, uma grande honra.

sábado, 6 de dezembro de 2008

nós, cardíacos.

nós, cardíacos, somos doentes só pelo nosso time, ainda bem.
cada um à sua maneira, na presença ou na ausência, agregados pela mesma camisa.
nós, cardíacos, temos a mania de perder e persistir; e perstistir tanto até ganhar. nós não temos lá muita técnica, mas temos raça. e que raça!
raça como a de lucas, nosso goleiro, que ao melhor estilo goycochea 'tapa penales', fez as ovelhas virarem carneirinhos nas suas mãos. e levou nós, cardíacos, ao g-8.
nós também temos técnica. técnica indiscutível como a de nosso camisa 10 (que, por humildade, usa a 20), fuji, que quando decide abrir a chapelaria, ninguém segura, é chapéu pra todo lado. fora as canetas, lançamentos, deslocamentos, chutes, roubadas de bola, e por aí vai.
nós, cardíacos, temos também thiagão, o bombeiro. mas pra botar fogo no jogo, com sua força, visão de jogo e passes precisos. melhor ainda, um verdadeiro corinthiano. mas isso é outra história.
nós, cardíacos, temos um judoca. grande demétrius! um verdadeiro lutador em quadra, com grande espírito de equipe e incansável na marcação. este ano, premiado como autor do único gol (não-contra) da heróica campanha cardíaca. aliás, um golaço.
nós temos giba, líbero no vôlei e guerreiro na quadra de futsal, adrenalina e muita velocidade.
temos velho, racional acima de tudo, porém exemplarmente esforçado. com o velho, vontade nunca falta. paixão pura.
temos barba, nosso representante do oriente médio, com seu bombardeio incansável à trave adversária. sem dúvida, de grande valor para a equipe.
nós, cardíacos, temos linus. nipo-caiçara, veio das praias de santos para dar alma argentina ao time. catimba, divididas duras e discussões. linus nos fortalece frente aos oponentes e à arbitragem.
nós temos piau, fixo e relações públicas do elenco. grande contador de histórias, usa caneleiras e shorts pra dentro. é isso aí piau, estilo é tudo, estamos com você!
nós, cardíacos, temos cascão, o intelectual do time. entre um cigarro e outro e alguns atrasos, cascão (joão para os íntimos) é o nosso canhoto, grande sociólogo em quadra. deleuze teria orgulho de vê-lo jogar.
nós temos ishi. grande geoprocessador, é calma e serenidade. e, acima de tudo, corinthiano!
temos também marcelo, nosso fotógrafo oficial. vouyeurismo e indiscrição.
temos, embora ausentes do elenco deste ano, porém co-fundadores do time, lagoinha, da turma do amendoim, e fabricius, o político-cardíaco.
como torcedores, nós, cardíacos, temos ninguém menos que os irmãos (quase) gêmeos kk e júnior do multi-estrelado e campeoníssimo time do macd.
nós também temos eu, sanches. o camisa 9 mais ausente da história do futsal e mal-aventurado treinador, porém possuidor da qualidade mais importante para um cardíaco: alma de cardíaco. mesmo a distância, sempre mantendo o estilo de vida cardíaco e mandando boas vibrações para a equipe.
nós, cardíacos, temos o direito e devemos comemorar a campanha deste ano. mas, com os pés no chão, sempre vislumbrando vôos mais altos. porém, jamais deixando de lado o espírito cardíaco. o de jogar para se diverir entre amigos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

a verdadeira história do campeonato brasileiro.

até o final da década de 1950, não havia qualquer tipo de campeonato nacional de futebol no brasil. pelo menos entre clubes. havia um campeonato nacional de seleções estaduais, porém as disputas interclubes se davam em âmbito estadual. o que mais se assemelhava a um campeonato nacional era o troneio rio-são paulo que, por definição, nada mais era do que uma disputa entre clubes dos dois estados. nem de longe poderia ser considerado um campeonato nacional.
em 1959, foi criada pela cbd (hoje cbf) a taça brasil, que era disputada em forma de copa e tinha como objetivo indicar os clubes brasileiros que iriam disputar a recém criada taça libertadores da américa. a competição reunia clubes das regiões sul, sudeste e nordeste. pode-se dizer que foi o embrião do campeonato brasileiro, até porque, na época, não havia outro campeonato nacional interclubes. a taça brasil foi, portanto, por quase uma década, o nosso campeonato brasileiro e, por mais que a cbf, mesmo tendo sido a criadora do torneio à época, não reconheça, está escrito na história e há de ser respeitado. a taça brasil foi disputada até 1968, quando foi extinta.
a partir de 1967, passou a ser realizado o torneio roberto gomes pedrosa, o popular robertão. este sim, em formato de liga, sem finais, porém disputado em quadrangulares, se assemelhava muito mais ao que conhecemos como campeonato brasileiro nos dias de hoje. de fato, foi o pontapé inicial para a criação do campeonato brasileiro em 1971, até porque foi disputado somente até 1970. durante os anos de 1967 e 1968, portanto, podemos dizer que tivemos um aperitivo da disputa concomitante de 2 campeonatos nacionais. digo 'um aperitivo', porque desde 1989 temos, anualmente, a copa do brasil e o campeonato brasileiro como os legítimos torneios nacionais de futebol.
mas você deve estar se perguntando, 'por que esse cara está falando tudo isso?' a resposta é a seguinte.
por conta da atual iminência da conquista do tricampeonato brasileiro pelo são paulo (lembrando que é tri quem conquista 3 títulos de forma consecutiva), desde o último domingo, vem sendo veiculada, em muitos meios de comunicação, a informação de que o são paulo se tornará o maior campeão brasileiro de todos os tempos, com 6 conquistas, e que será o primeiro clube a ser campeão por 3 vezes consecutivas. tudo isso é uma grande bobagem.
o são paulo, sem dúvida, é o clube de futebol profissional mais vitorioso do brasil nos últimos 20 anos. é também o que tem a melhor estrutura, o melhor centro de treinamento, o maior estádio particular. é, de fato, o clube mais organizado de todos. ostenta também o título de torcida que mais cresce ultimamente, passando de sétima maior do brasil em meados dos anos 70, para terceira maior atualmente. tudo isso é verdade. mas maior campeão brasileiro de todos os tempos ainda não é, e não conseguirá atingir este feito ainda este ano.
cabe agora fazer alguns esclarecimentos. o campeoanto brasileiro de futebol, com esta denominação oficial, iniciou-se em 1971. porém, durante muito tempo não teve fórmula de disputa determinada, divisões inferiores devidamente organizadas e número de participantes definidos. em plena ditadura militar, algumas das edições chegaram a ter quase 100 times, o que claramente demonstra que a simples criação do brasileirão, até se estabelecer regras definidas de disputa em 2003, em nada possuía credibilidade maior do que os já citados torneio roberto gomes pedrosa e taça brasil. então por que não considerá-los?
tudo leva a crer que trata-se de uma convergência de interesses da própria cbf, que desde 1971 passou a organizar o torneio de forma soberana, sem a interferência das federações estaduais, como acontecia anteriormente, e da detentora dos direitos de transmissão televisiva desde então, a tv globo. quase que de forma automática, como costuma acontecer no inconsciente do povão, 'o que não aparece na globo, não é verdade', e o que aparece, passa a ser verdade absoluta, de forma que, num processo de verdadeira lavagem cerebral, fixou-se a idéia no torcedor comum de que 'campeonato brasileiro, só a partir de 1971' e assim acabou sendo. pouca gente passou a discutir o assunto.
mas e o santos de pelé, nunca foi campeão brasileiro? para a cbf e a globo, não. a história mostra que sim.
adotando a linha mais coerente com a atual configuração de disputa, consideremos como campeonato brasileiro de futebol a taça brasil de 1959 a 1966 e o robertão de 1967 a 1970. desta forma, temos como maior campeão brasileiro o santos, com 8 títulos, sendo 5 de forma consecutiva, conquistados na 'era pelé' (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965) e três de forma alternada (1968, 2002 e 2004). o segundo maior campeão seria o palmeiras, com 7 conquistas (1960, 1967, 1969, 1972, 1973, 1993 e 1994). o são paulo, se realmente vier a confirmar o título deste ano, se tornará o terceiro maior campeão brasileiro da história, com 6 triunfos (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008). inegavelmente, um grande feito, porém ainda relativamente longe de ser algo inédito.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

o goleiro: razão e emoção.

no futebol, ser goleiro é vocação; é como ser médico. o goleiro é masoquista por definição. raramente marca gol, leva gol quase todo jogo e está sempre na corda bamba. o goleiro pode fazer um jogo espetacular, se tomar um frango no fim, vira vilão. o goleiro é maldito, ele está lá só para evitar gols, para prolongar o sofrimento de muitos e apenas adiar a decepção de outros. no inconsciente do apaixonado por futebol, o goleiro é a personificação do anti-clímax.
quando criança, eu fui goleiro. de futebol de salão, é verdade, pois a minha estatura não permitiria ousadia maior. nem era tão grosso na linha, mas decidi ser goleiro só por causa de um ídolo. o goleiro do corinthians: ronaldo. ronaldo soares giovanelli, um metro e oitenta e sete, uniformes extravagntes, a maioria de péssimo gosto, capitão e camisa 1 do corinthians por quase uma década. ronaldo é corinthiano. era o autêntico corinthiano no campo de jogo, nervos à flor da pele durante os 90 minutos. briguento, polêmico. grande goleiro, porém especialmente espalhafatoso, capaz de defesas plasticamente espetaculares e falhas ridículas. o maior goleiro que já vi jogar no corinthians, porém muito mal sucedido em sua passagem pela seleção brasileira. um frango contra a alemanha e nunca mais.
a seleção brasileira não tinha (e quase nunca teve) espaço para goleiros muito "emocionais". desde que acompanho futebol, goleiro de seleção brasileira tem que ser frio. quase um alemão ou escandinavo.
comecemos pelo exemplo de taffarel, o goleiro da seleção brasileira durante nada menos do que 10 anos. parecia um cubo de gelo embaixo das traves, nada o abalava. nem os frangos que tomava, levantava como se nada tivesse acontecido. tecnicamente bom, mas acima de tudo muito equilibrado, muito racional. um dos heróis do tetra.
seu reserva era zetti. esse mais frio ainda. tinha dias que zetti simplesmente não levava gol. podia acontecer o diabo, o time adversário podia ser o que fosse, zetti pegava todas, fechava o gol. sempre de calça e meias por cima das barras, zetti era um monge. sempre muito calmo, ponderado, concentrado. tecnicamente o mais completo que já vi, mas de pouca vibração. ídolo do são paulo e do santos, porém sempre reserva da seleção. uma pena.
o sucessor imediato da era taffarel-zetti foi dida. um grande goleiro, literalmente. muito alto, de envergadura fora do normal, dida não tem expressão. sua atitude beira à sonolência porém, muito concentrado, é exímio pegador de pênaltis. que o diga raí, que em sua última passagem pelo são paulo jogou por água abaixo a classificação do tricolor às semifinais do campeonato brasileiro de 1999. logo contra o corinthians, de dida, que defendeu os dois pênaltis cobrados pelo eterno camisa 10 do morumbi e garantiu a vaga do timão. mas dida também não deu muita sorte na seleção. na copa em que jogou como titular, em 2006, o brasil perdeu feio para a frança. e, cá entre nós, dida não teve culpa, mas já estava longe de sua melhor forma.
dida estava vivendo sua mais brilhante fase às vésperas da copa de 2002. mas a seleção tinha felipão como técnico e felipão confiava mesmo era em marcos. grande marcos. além de tudo um sujeito gente fina. acabou com o corinthians em duas libertadores seguidas (1999 e 2000), mas mesmo assim todo corinthiano adora esse cara. marcos é uma excessão na seleção, é estilo ronaldo; emocional, polêmico, sangue quente, porém sem ser briguento. verdadeiramente palmeirense. marcos conquistou o brasil na copa de 2002, com o penta. era figura importantíssima da família felipão e fez um torneio irretocável. que oliver kahn que nada, o goleiro da copa foi o marcão!
contudo, no último fim-de-semana marcão vacilou. falhou em jogo chave do palmeiras na briga pelo brasileirão e partiu desesperadamente para o ataque em busca do empate, numa tentativa desequilibrada e inapropriada para um capitão de time grande. não deu certo, mas a torcida gostou.
se existe algum jogador no futebol brasileiro que é amado por sua torcida, este atende pelo nome de rogério ceni. rogério é o espelho do sãopaulino. culto, líder, goleiro do time. um cara sério, ponderado, equilibrado, um atleta exemplar. nunca faltou a um treino, nem sequer atrasou. incansável nos treinamentos e principalmente nos jogos. é a alma do são paulo. além de tudo cobra faltas e pênaltis e faz muitos gols. é o perfeito sucessor de zetti, segundo a maioria dos tricolores, até melhorado. em minha modesta opinião, tecnicamente zetti foi muito melhor, mas como ídolo, até por sinal de nossos tempos, rogério é maior. muitas vezes arrogante, é verdade, mas sempre em defesa do são paulo. na seleção, principalmente por sua arrogância, não foi bem. frangou, não admitiu, saiu. os sãopaulinos não se conformam até hoje. também, pudera, rogério é o jogador mais vitorioso da história do são paulo e está prestes a ser campeão brasileiro mais uma vez, a terceira consecutiva. tomara que não, mas vamos ver.
falando em campeão, atualmente, o corinthians tem felipe. baiano arretado, explosivo, muito elástico. jovem ainda, porém já um lider. felipe caiu com o corinthians, mas subiu e foi campeão da série b. foi para os braços da fiel no pacaembu. se irá para seleção, só o tempo dirá, mas uma coisa ninguém pode discutir: felipe é corinthians!
o goleiro talvez seja o jogador mais sacrificado numa equipe de futebol, mas também por isso, acaba se tornando o mais passível de admiração, idolatria. é, ao mesmo tempo, o principal ator emocional e racional do jogo. um verdadeiro protagonista da arte do futebol.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

sobre este brasileirão.

o campeonato brasileiro da série "a" deste ano, o popular brasileirão, vem sendo um tapa na cara dos que eram contra a fórmula de disputa por pontos corridos. diferentemente do que muitos já falaram, apesar do atual baixo nível técnico de nossas equipes, o brasileirão se encaminha, este ano, para uma disputa ponto a ponto até a última rodada. e essa disputa tem nomes: grêmio, cruzeiro, palmeiras, são paulo e flamengo.
o grêmio é o time mais regular do campeonato até o momento. apresentando um futebol competitivo e feio, a esquadra gaúcha obtém vitórias magras, empates valiosos e perde pouco. por isso ainda é líder, mesmo contando com jogadores desconhecidos e alguns refugos de vários times do passado, além de ter como comandante o inexpressivo celso roth. pela frente, uma tabela que apresenta apenas um grande desafio aparente: o palmeiras no palestra itália. boas chances para o tricolor dos pampas.
o cruzeiro parece ter a tabela mais tranqüila entre os postulantes ao título mais desejado do futebol nacional. como um autêntico mineiro, vem comendo pelas beiradas, com uma equipe jovem e cheia de promessas, porém bastante inexperiente, capaz de golear e fazer jogos espetaculares e em seguida perder em casa sem jogar nada. o técnico também é inexperiente, adilson batista. talvez um time para o ano que vem, mas quem sabe?
o palmeiras é o favorito. marcos, roque júnior, pierre, diego souza, alex mineiro, denilson para o segundo tempo e o principal: luxemburgo no banco. o técnico maior vencedor de campeonatos brasileiros de todos os tempos está mordido por ter perdido as duas últimas edições para muricy ramalho e quer o caneco. um bom exemplo dessa gana foi o nó tático no segundo tempo do choque-rei do último domingo. uma verdadeira demostração de força do alvi-verde.
já o são paulo, é aquilo lá. todo mundo conhece como joga, ninguém gosta de ver, mas está sempre na parte de cima da tabela. mantendo a base, o são paulo este ano não conseguiu manter a regularidade apresentada nos dois últimos brasileirões mas, mesmo assim, pode ser considerado o segundo da fila. é aguardar pra ver.
já o flamengo... se não fosse o flamengo, eu nem citaria entre os favoritos. mas é o flamengo, então vou colocar, só por precaução. quem sabe o que é o flamengo, sabe o que eu estou falando.
quem vai ganhar? não sei, mas se soubesse não falaria. afinal, a graça não está em quem será o campeão e sim na disputa final. que vença o melhor!